sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Revista britânica diz que Brasil desconfia dos propósitos de presidente colombiano

Um artigo na edição da revista britânica The Economist que chegou aos assinantes nesta sexta-feira afirma que o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, está tentando convencer os líderes da América do Sul de que a verdadeira ameaça à segurança da região são as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), e não os Estados Unidos. A reportagem, intitulada “Bazookas and Bases” ("Bazucas e bases"), trata do acordo militar entre o governo colombiano e os Estados Unidos e afirma que a notícia sobre a negociação “alarmou” os governos sul-americanos.

Segundo a Economist, o governo colombiano esperava que seus vizinhos “compartilhassem de seu ultraje” ao revelar que três lançadores de foguetes suecos vendidos à Venezuela em 1988 foram encontrados em um campo das Farc.

“Em vez disso, os líderes de Brasil e Chile parecem ter ficado do lado de Hugo Chávez ao expressar desconforto sobre um acordo pendente através do qual os EUA poderiam usar bases navais e aéreas da Colômbia”, afirma a reportagem.

De acordo com a revista, a reação dos líderes da região “frustrou” Uribe, que decidiu fazer um giro para tentar “persuadir” os colegas de que o acordo não representaria uma ameaça para a segurança da América do Sul e que essa ameaça seria representada pela guerrilha colombiana.

A Economist cita, ainda, as reações de diversos governos, entre eles o brasileiro, para afirmar que as “tensões no norte dos Andes irão persistir”. Isso porque, além das reações ao governo, tensões já existentes entre a Colômbia e o Equador e também a recente escalada na tensão entre o governo colombiano e a Venezuela poderiam, segundo a revista, contribuir para o conflito na região.

O artigo cita o ministro das Relações Exteriores da Colômbia, Jaime Bermúdez, que afirmou que “o acordo de cooperação é contra o tráfico de drogas, o terrorismo e outros crimes”. De acordo com a Economist, “enquanto não receber cooperação ativa de todos os seus vizinhos na luta contra as Farc e outros traficantes de drogas, a Colômbia vai concluir que deve confiar no apoio norte-americano”.

O acordo militar entre EUA e Colômbia, que ainda está em fase de negociação, poderá transformar o país latino-americano no reduto das operações militares norte-americanas na América do Sul. O acordo prevê o uso, pelo Exército americano, de três bases militares na Colômbia.

Soberania

O Brasil reconheceu a soberania da Colômbia no acordo com os Estados Unidos sobre o reforço de forças militares norte-americanas em bases colombianas, mas expressou desejo de que o tratado seja negociado com "transparência", afirmou o chanceler brasileiro, Celso Amorim, aos jornalistas. Segundo o ministro das Relações Exteriores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou, em encontro com sua contraparte colombiana, Álvaro Uribe, na véspera, o propósito do Conselho de Defesa, que reúne países da região, para discutir a questão. Na avaliação do governo brasileiro esse é o melhor fórum para tratar o assunto, foco de tensões na região.

Segundo o presidente Lula, o grupo tem o objetivo de atuar na gestão do impasse e clima de confiança de forma a dirimir divergências "com tranquilidade e de maneira técnica".

Na saída do encontro com Lula, o presidente colombiano limitou-se a uma declaração de 40 segundos, em que saudou a imprensa e o povo brasileiro. Ao ser perguntado se participaria da próxima reunião da Unasul, apenas fez um gesto negativo com o dedo indicador. A próxima reunião está marcada para dia 10, no Equador. A Colômbia, no entanto, já havia informado que o presidente não participaria do encontro. Na semana na passada, Lula disse que o Conselho de Defesa Sul-Americano poderia ser convocado para tratar da questão durante encontro da Unasul.

Questionado se o Brasil exigiu garantias de que as operações se limitariam exclusivamente ao território colombiano, Amorim disse:

– E eu creio que isso será objeto de uma reflexão. Há uma sugestão (do Brasil) de uma transparência maior e temos que ver exatamente se isso satisfaz as nossas dúvidas ou não.

Ainda conforme o chanceler haverá mais conversas sobre o tema, sem especificar datas nem participantes. O combate ao narcotráfico, um dos objetivos do acordo militar Colômbia-EUA, foi discutido pelos dois chefes de Estado. Segundo Amorim, falou-se da importância de América do Sul assumir o combate ao narcotráfico "sem ingerência externa".

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