RIO – Numa sessão tensa e com troca de acusações, os deputados elegeram nesta terça-feira Aloísio Neves, chefe de gabinete do presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) há mais de oito anos, o novo conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Ele vai ocupar o cargo, que é vitalício, com salário de R$ 26 mil, na vaga deixada por José Nader que se aposentou.
O rolo compressor do presidente da Casa, Jorge Picciani (PMDB), funcionou: Neves foi eleito por 54 votos. Cinco votos foram para o deputado Luiz Paulo Corrêa da Rocha (PSDB), corregedor da Casa, e dois para a funcionária concursada do TCE Gecilda Esteves da Silva. Ao longo dos debates, houve algumas cenas constrangedoras. Um dos mais de 20 candidatos à vaga – muitos parlamentares -, o deputado José Nader Júnior (PTB), filho do conselheiro aposentado, foi impedido por Picciani de concorrer porque é alvo de um processo de cassação.
Da bancada do PT, apenas Alessandro Molon disse que faria um voto técnico:
- Vou votar numa técnica concursada (Gecilda) porque defendo o fim das indicações políticas. Fica provado, com a eleição do chefe de gabinete do presidente da Casa e do seu antecessor, o atual governador Sérgio Cabral, que as velhas práticas serão mantidas mesmo se for criado um novo tribunal.
Deputados babem boca durante a votação
Aloísio Neves foi chefe de gabinete também durante todo o período em que o hoje governador Sérgio Cabral presidiu a Casa, na década de 90. Bacharel em Direito, Aloísio também é jornalista.
Vetado pela mesa, José Nader Júnior bateu boca duas vezes com a colega Cidinha Campos (PDT). Uma depois de atacá-la e outra após afirmar que Aloísio teria sido preso em 83.
- Você é um ladrão! – respondeu Cidinha.
” Você é um ladrão! “
Outro momento que chamou a atenção foi a declaração de voto do deputado Marcos Abrahão (PTdoB). Apontando para o candidato, o parlamentar revelou a razão de sua escolha:
- Voto em você, Aloísio Neves, não pelo seu currículo, voto pela amizade.
Além de Nader, outros deputados se candidataram à vaga, mas, ao perceberem que não teriam votos, foram retirando a candidatura ao longo da sessão. Entre eles, estavam Iranildo Campos (PR), Glauco Lopes (PSDB), Caetano Amado (PR), e Marcelo Simão (PSB). Dos deputados, a única candidatura levada a sério foi a de Luiz Paulo. Picciani, que subiu a tribuna para defender sua indicação, disse que tinha um grande respeito por Luiz Paulo mas que Aloísio Neves estava no mesmo nível.
Um dos autores da PEC-60, que cria um novo tribunal de contas, o deputado Marcelo Freixo (PSOL) deu o segundo voto a Gecilda. Para ele, a escolha de mais um indicado político era uma contradição com os princípios defendidos pela CPI que investigou os conselheiros do TCE.
- Nosso esforço foi de aumentar o caráter técnico do novo tribunal. Nós estamos colocando gente indicada pelo governo para investigar o governo – criticou.
O relatório final da CPI do TCE, também aprovado nesta terça-feira, tem 349 páginas e dezenas de depoimentos. As conclusões serão enviadas ao Ministério Público estadual. A investigação começou depois de uma operação da Polícia Federal que apurou indícios de irregularidades supostamente praticadas por três conselheiros do Rio, José Nader, Jonas Lopes e o ex-presidente do Tribunal, José Gomes Graciosa. A oposição sempre sustentou que os trabalhos foram influenciados por uma disputa entre Picciani e Graciosa. O relatório propõe a criação de um novo tribunal de contas, que ficaria responsável pela análise das contas de 91 municípios, esvaziando o TCE.
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