terça-feira, 1 de junho de 2010

Com principal emergência fechada há mais de um ano, população de Niterói pede 'socorro'

POR TAMYRES MATOS

Rio - A reforma da emergência do Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap) está se tornando uma novela. O fechamento da emergência aconteceu em fevereiro do ano passado para realização de obras de melhorias. Após este período, em maio do mesmo ano, ocorreu um surto de bactérias na unidade, que precisou ser fechada novamente. A declaração inicial da diretoria do Huap era que a reabertura ocorreria em junho do mesmo ano. No entanto, isso não ocorreu e o caso se arrasta desde então.

Foto: Tamyres Matos/Agência O  Dia
Antiga entrada da emergência do Huap se resume a destroços | Foto: Tamyres Matos / Agência O Dia

As obras para aumentar a capacidade da emergência do hospital se intensificaram e, até o momento, não há previsão de conclusão. Os moradores de Niterói, cidade conhecida pelo alto nível de qualidade de vida, reclamam da situação e afirmam se sentir desamparados nos casos em que necessitam de socorro imediato.

A aposentada Nilza Xavier Ribeiro, de 70 anos, foi uma das vítimas de uma situação difícil para os moradores de Niterói. A moradora do bairro Cubango precisou de atendimento há duas semanas porque teve um acidente caseiro em que ficou com um prego espetado no pé. Para conseguir ser medicada, ela buscou o Huap, o Hospital Municipal Carlos Tortely (antigo CPN) e o Hospital Estadual Azevedo Lima e em nenhum deles conseguiu ser atendida. "Eu me senti completamente perdida e assustada. Poucos deram atenção à minha situação e sempre me encaminhavam para outro lugar", contou Nilza.

Foto: Tamyres Matos/Agência O Dia
A aposentada Nilza Xavier Ribeiro, de 70 anos, passou por momentos difíceis | Foto: Tamyres Matos / Agência O Dia
A aposentada conta que teve de realizar todo o percurso entre os hospitais sem auxílio de qualquer transporte, mesmo com dores fortes no pé. As únicas palavras que ela afirma ter ouvido foram que não haviam médicos disponíveis e que ela teria que buscar outras unidades de saúde. "Na verdade, eu só fui ser atendida no Hospital Estadual Alberto Torres, em São Gonçalo. Mas acredito que não deveria precisar sair da minha cidade para conseguir o socorro de que precisava, afinal não era nada tão complicado assim, mas eu estava sentindo muita dor", explica.

Explicações

O Huap informou, por meio de seu gabinete, que está funcionando de forma referenciada, ou seja, recebe apenas pacientes que foram encaminhados por outras unidades de saúde. O gabinete ainda afirma que mesmo após a reforma ficar pronta, a emergência vai continuar funcionando de maneira referenciada. O pronto socorro do Huap atendia em média a 800 pacientes por dia.

A assessoria da secretaria municipal de Saúde de Niterói afirma que o Carlos Tortely, "mesmo em obras, tem capacidade para o atendimento ao qual se destina, que são as urgências clínicas - atendimento onde está envolvido risco de morte - e até mesmo algumas cirurgias de baixa e média complexidades. Se ocorrer de chegar à unidade um caso de emergências - atendimento onde está envolvido risco de morte, o procedimento é encaminhar para os locais (adequados) referenciadamente".

A assessoria da secretaria estadual de Saúde afirmou que no Azevedo Lima não há falta de cirurgiões e que o número de profissionais por plantão foi ampliado. Ainda segundo a assessoria, a emergência da unidade realiza cerca de 500 atendimentos por dia, mesmo porque é praticamente a única emergência de porta aberta, que atende a toda demanda que de Niterói e adjacências.


Novo Hospital

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, anunciou, em maio do ano passado, que pretendia abrir um novo hospital no município de Niterói. Segundo o governo estadual, a nova unidade ocuparia o prédio onde funcionou o Hospital Santa Mônica, na Avenida Marquês do Paraná, que está desativado. O custo da construção da nova unidade estaria orçado em cerca de R$ 50 milhões.

A assessoria da secretaria estadual de saúde reitera que este projeto da nova unidade está em fase de licitação. A previsão é inaugurar até o final de 2011.
O investimento seria de responsabilidade do governo estadual.

Um comentário:

  1. Saúde e trânsito. São os dois grandes problemas de Niterói hoje! Ótima matéria de denúncia!

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