Do R7, com agências internacionais
AFP
O site WikiLeaks, especializado em publicar informação secreta de governos e empresas do mundo todo, relevou documentos diplomáticos americanos
A imprensa internacional divulgou neste domingo (28) o conteúdo de milhares de documentos diplomáticos americanos vazados pelo site WikiLeaks, especializado na publicação de informação secreta relativa a governos ou empresas de todo o mundo.
O "maior vazamento de dados da história" colocou o governo dos Estados Unidos em alerta para as possíveis reações negativas diante das afirmações nada lisonjeiras de diplomatas sobre vários líderes mundiais.
A preocupação também cresceu por causa da publicação de diálogos sensíveis relativos à política externa americana para países como Irã e Venezuela, históricos desafetos dos EUA.
Veja a seguir os principais pontos dos documentos publicados pelo WikiLeaks.
Os líderes mundiais
- Presidente da Argentina, Cristina Kirchner
De acordo com o jornal espanhol El País, o Departamento de Estado americano pediu à Embaixada em Buenos Aires informações sobre "o estado de saúde mental" da governante.
- Presidente da Venezuela, Hugo Chávez
Um vice-secretário americano, Philip Gordon, recompila uma conversação com o conselheiro presidencial francês Jean-David Lévitte, na qual este diz que Chávez está "louco" e afirma que até mesmo o Brasil não poderia apoiá-lo. Outro documento mostra que a diplomacia americana trabalhou para isolar politicamente o presidente da Venezuela.
- Primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi
Um importante diplomata descreve o italiano como "irresponsável, vão e pouco eficaz como líder europeu moderno". Outro documento o classifica de "frágil física e politicamente" e afirma que o italiano não descansa apropriadamente por causa das festas que dá até altas horas da madrugada.
- Presidente do Afeganistão, Hamid Karzai
Um documento o descreve como "extremadamente frágil" e passível de acreditar em teorias conspiratórias. Karzai mantém uma relação difícil com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.
- Líder da Líbia, Muammar Gaddafi
Um texto diplomático diz que Gaddafi é "quase obsessivamente dependente de um pequeno núcleo de funcionários de confiança" e que, aparentemente, não pode viajar se não estiver acompanhado de uma "voluptuosa" enfermeira ucraniana. Acredita-se que o líbio tenha medo de voar sobre o mar e de pernoitar em andares altos de edifícios.
- Presidente da Rússia, Dimitri Medvedev
Apesar de ser oficialmente o líder do Estado e de chefiar o primeiro-ministro, Vladimir Putin, a Embaixada americana em Moscou diz que Medvedev "é o Robin do Batman, Putin".
- Chanceler da Alemanha, Angela Merkel
Um documento a considera "contrária à tomada de riscos e raramente criativa". Seu ministro das Relações Exteriores, Guido Westerwelle, teria uma "personalidade exuberante", mas pouco conhecimento de política externa.
- Presidente da França, Nicolas Sarkozy
A Embaixada dos Estados Unidos em Paris acredita que o presidente é "suscetível e autoritário", destacando suas críticas a colaboradores.
Al Qaeda no Brasil
De acordo com memorandos vazados pelo WikiLeaks, os Estados Unidos pediram aos seus diplomatas, em 2008, que investigassem a possível presença da rede terrorista Al Qaeda e de outros "grupos terroristas" islâmicos na região da tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina.
A região abriga milhares de imigrantes de países árabes, e há anos Washington suspeitava de que grupos da tríplice fronteira recolhessem fundos para organizações islâmicas, como a libanesa Hezbollah.
Em 2003, informações dos serviços de segurança brasileiros relatavam uma possível viagem do líder da Al Qaeda, Osama Bin Laden, à região para visitar uma mesquita na cidade de Foz do Iguaçu (PR), embora responsáveis da comunidade árabe no local tenham negado o fato.
Espionagem na ONU
O Departamento de Estado americano determinou a espionagem de membros da ONU (Organização das Nações Unidas), inclusive do secretário-geral, Ban Ki-moon, de acordo com os documentos vazados à imprensa internacional.
O jornal britânico The Guardian informa que representantes de China, Rússia, França e Reino Unido no Conselho de Segurança também foram espionados.
O El País diz que, em 2009, 39 embaixadas e missões diplomáticas receberam a ordem do departamento de Hillary Clinton para conseguir informações pessoais de membros da ONU. De acordo com os documentos, a ação é considerada "espionagem branda".
Irã e Israel
Segundo os documentos divulgados pelo WikiLeaks, os Estados Unidos receberam pedidos de ação mais severa em relação ao Irã tanto de Israel quanto de países do golfo Pérsico. O rei da Arábia Saudita teria defendido inclusive a opção militar.
Ainda de acordo com as informações vazadas pelo portal, o governo dos Estados Unidos teria informado à França que Israel pode executar um a ataque contra instalações nucleares do Irã sem apoio militar de Washington, mas a operação poderia não ser bem sucedida.
O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, avaliou a situação em uma reunião em 8 de fevereiro deste ano com o ex-ministro da Defesa francês Hervé Morin, indica um resumo secreto do encontro.
Israel também teria buscado apoio do Egito e do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmmoud Abbas, para a ofensiva militar contra a faixa de Gaza, controlada pelo Hamas, no fim de 2008.
Os contatos das autoridades israelenses com representantes egípcios e palestinos prosseguiram durante a operação.
O ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, informou em 2009 a uma delegação do Congresso americano que o governo de Israel consultou o Egito e o grupo Fatah para saber se estavam dispostos a assumir o controle da de Gaza após a derrota do Hamas. A resposta negativa "não foi considerada surpreendente", segundo um documento americano revelado pelo WikiLeaks.
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