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terça-feira, 1 de setembro de 2009

Projeto de Lei de autoria do Senador Crivella - Dia Nacional da Marcha para Jesus


No próximo dia 3 de setembro o Presidente Lula assinará a Lei que cria oficialmente O DIA NACIONAL DA MARCHA PARA JESUS

Projeto de Lei de autoria do Senador Marcelo Crivella - PRB RJ

E como a Lei será sancionada já temos a data para 2010 que será em 5 de Junho, exatamente 60 dias após a Páscoa.

Mais uma vitória para os evangélicos e especialmente para os do Rio de Janeiro que podem testemunhar a atuação parlamentar do Senador Crivella de maneira ampla, geral e irrestrita.




Marcha para Jesus | Divulgação

De autoria do Senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), o Projeto de Lei nº 3234/08, que institui o Dia Nacional da Marcha para Jesus, foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara e remetido à sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O projeto, que tem por objetivo promover a manifestação pública da fé cristã em todo o país, iniciou a tramitação no Senado e teve parecer aprovado por unanimidade na Câmara.

A comemoração será sempre no primeiro sábado subsequente aos 60 dias após a Páscoa.

(Agência Câmara)


Projeto de Lei de autoria do Senador Crivella - Dia Nacional da Marcha para Jesus


No próximo dia 3 de setembro o Presidente Lula assinará a Lei que cria oficialmente O DIA NACIONAL DA MARCHA PARA JESUS

Projeto de Lei de autoria do Senador Marcelo Crivella - PRB RJ

E como a Lei será sancionada já temos a data para 2010 que será em 5 de Junho, exatamente 60 dias após a Páscoa.

Mais uma vitória para os evangélicos e especialmente para os do Rio de Janeiro que podem testemunhar a atuação parlamentar do Senador Crivella de maneira ampla, geral e irrestrita.




Marcha para Jesus | Divulgação

De autoria do Senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), o Projeto de Lei nº 3234/08, que institui o Dia Nacional da Marcha para Jesus, foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara e remetido à sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O projeto, que tem por objetivo promover a manifestação pública da fé cristã em todo o país, iniciou a tramitação no Senado e teve parecer aprovado por unanimidade na Câmara.

A comemoração será sempre no primeiro sábado subsequente aos 60 dias após a Páscoa.

(Agência Câmara)


quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A importância da água ... Para nossa meditação!


Realidade


World Water Crisis  book Blue Planet Run safe drinking water to the one billion people who lack it

Delhi - India. Todos querem apenas um pouco de água...




World Water Crisis  book Blue Planet Run safe drinking water to the one billion people who lack it

Dois sudaneses bebem água do pântanos com tubos plásticos, especialmente concebidos para este fim,
com filtro para filtrar as larvas flutuantes responsáveis pela enfermidade da lombriga de Guiné.
O programa distribuiu milhões de tubos e já conseguiu reduzir em 70% esta enfermidade debilitante.

World Water Crisis  book Blue Planet Run safe drinking water to the one billion people who lack it

Os glaciais que abastecem a Europa de água potável perderam mais da metade do seu volume

no século passado. Na foto, trabalhadores da estação de esquí do glacial de Pitztal, na Austria, cobrem o glacial
com uma manta especial para proteger a neve e retardar seu derretimento durante os meses de verão...


World Water Crisis  book Blue Planet Run safe drinking water to the one billion people who lack it

As águas do delta do rio Niger são usadas para defecar, tomar banho, pescar e despejar o lixo.


World Water Crisis  book Blue Planet Run safe drinking water to the one billion people who lack it

Água suja em torneiras residenciais, devido ao avanço

indiscriminado do desenvolvimento.


World Water Crisis  book Blue Planet Run safe drinking water to the one billion people who lack it

Aldeões na ilha de Coronilla, Kenya, cavam poço profundos em busca
do precioso líquido, a apenas 300 metros do mar. A água é salobra.


World Water Crisis  book Blue Planet Run safe drinking water to the one billion people who lack it

Aquele que foi o quarto maior lago do mundo,agora é um cemitério poeirento

de embarcações que nunca mais zarparão...



VALORIZE A ÁGUA!
EM ALGUNS LUGARES ELA
JÁ NÃO EXISTE MAIS...

A importância da água ... Para nossa meditação!


Realidade


World Water Crisis  book Blue Planet Run safe drinking water to the one billion people who lack it

Delhi - India. Todos querem apenas um pouco de água...




World Water Crisis  book Blue Planet Run safe drinking water to the one billion people who lack it

Dois sudaneses bebem água do pântanos com tubos plásticos, especialmente concebidos para este fim,
com filtro para filtrar as larvas flutuantes responsáveis pela enfermidade da lombriga de Guiné.
O programa distribuiu milhões de tubos e já conseguiu reduzir em 70% esta enfermidade debilitante.

World Water Crisis  book Blue Planet Run safe drinking water to the one billion people who lack it

Os glaciais que abastecem a Europa de água potável perderam mais da metade do seu volume

no século passado. Na foto, trabalhadores da estação de esquí do glacial de Pitztal, na Austria, cobrem o glacial
com uma manta especial para proteger a neve e retardar seu derretimento durante os meses de verão...


World Water Crisis  book Blue Planet Run safe drinking water to the one billion people who lack it

As águas do delta do rio Niger são usadas para defecar, tomar banho, pescar e despejar o lixo.


World Water Crisis  book Blue Planet Run safe drinking water to the one billion people who lack it

Água suja em torneiras residenciais, devido ao avanço

indiscriminado do desenvolvimento.


World Water Crisis  book Blue Planet Run safe drinking water to the one billion people who lack it

Aldeões na ilha de Coronilla, Kenya, cavam poço profundos em busca
do precioso líquido, a apenas 300 metros do mar. A água é salobra.


World Water Crisis  book Blue Planet Run safe drinking water to the one billion people who lack it

Aquele que foi o quarto maior lago do mundo,agora é um cemitério poeirento

de embarcações que nunca mais zarparão...



VALORIZE A ÁGUA!
EM ALGUNS LUGARES ELA
JÁ NÃO EXISTE MAIS...

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Freelancers da educação

Por Chafic Jbeili – www.chafic.com.br

Recentemente acompanhei minha filha Anna, de seis anos, a um aniversário infantil. Na área externa do salão de festas havia uma piscina de bolinhas e um pula-pula. Anna cumprimentou os anfitriões da festa, entregou o presente ao aniversariante e, como toda criança, foi logo para perto dos brinquedos onde havia uma jovem para organizar a fila. A moça de boa apresentação, mas totalmente alheia parecia ser uma destas profissionais avulsas que fazem “bicos” em festas para ganhar trinta reais por algumas horas de serviço do tipo: “só por hoje”.

Assentada nos degraus da piscina de bolinhas, com os cotovelos sobre os joelhos e as mãos escorando a cabeça, a jovem freelancer parecia mais estar esperando o próximo trem para a cidade de “me tirem daqui” do que para organizar a brincadeira e entreter as crianças, como qualquer bom profissional faria. Bem-feito! Perdeu-me como futuro cliente, já que sou pai de uma criança que também faz aniversários!

Para tentar desculpá-la naquilo que ela disse sem dizer, procurei justificavas para o descaso com o trabalho temporário e principalmente para com aquelas crianças, mas a indiferença dela gritava mais alto do que meus pensamentos. Foi aí que um insight me ocorreu: Imediatamente me veio a analogia com a atitude de muitos profissionais em nossas escolas. Eu mesmo conheço meia dúzia de professoras com comportamento muito semelhante ao daquela jovem da piscina de bolinhas. São os freelancers da educação, transviados de suas verdadeiras vocações fazem um “bico” como docente. Triste né?!

Esses docentes freelancers da educação, são meros batedores de ponto; boicotam reuniões pedagógicas, fazem corpo mole nos eventos escolares, quase nos convencem de que não têm o bastante e na maioria das vezes não têm nada a dizer, nem sugerir. Em contrapartida são ativistas militantes na reivindicação por melhores salários e atiradores de elite nas falhas dos colegas ou da direção da escola. Análogos àquela jovem, estão pouco se lixando para o processo ensino-aprendizagem e mal conhecem as pessoas para quem trabalham. Assentam-se nos degraus de entrada do átrio do saber e permanecem de costas ao que importa; alheias a tudo o que acontece mantém o pensamento bem longe dali e contam as horas do dia, os dias dos meses e os meses do ano para receber o próximo pagamento ou tirar as próximas férias.

Não me refiro exclusivamente aos professores de contrato temporário não! Estou me referindo aos professores concursados também, funcionários de carreira que se prestam ao papel de freelancers da educação. A sorte de nossas crianças e do sistema educacional é que estes tipos de profissionais não representam a categoria, nem sequer se parecem com os verdadeiros profissionais freelancers ou educadores que tive o privilégio de conhecer e saber existir. Eu acredito no profissionalismo de muitos trabalhadores temporários ou de carreira, só não gosto de ser enganado pelos oportunistas!

Os oportunistas de festas infantis e da Educação defloram os próprios sonhos e os próprios desejos. Violam a si mesmas quando se submetem a trabalhos contrários às suas aspirações e, por isto, ficam com aquela atitude indiferente, angustiada e cujo comportamento expressa a sua antipatia pelo que está fazendo, mas como precisam do dinheiro (apenas) se obrigam a cumprir o horário (ou o ano letivo) deste trabalho que para os vocacionados é uma dádiva, mas para si é só mais uma atividade remunerada.

Educadores de verdade exigem respeito ao ofício de professor e bravamente militam em favor do sistema educacional e dos próprios educandos. Freelancers da educação agem em favor de si mesmos, denigrem a imagem do verdadeiro educador e contaminam todo o sistema educacional.

Abraços,

Prof. Chafic
Chafic Jbeili

Freelancers da educação

Por Chafic Jbeili – www.chafic.com.br

Recentemente acompanhei minha filha Anna, de seis anos, a um aniversário infantil. Na área externa do salão de festas havia uma piscina de bolinhas e um pula-pula. Anna cumprimentou os anfitriões da festa, entregou o presente ao aniversariante e, como toda criança, foi logo para perto dos brinquedos onde havia uma jovem para organizar a fila. A moça de boa apresentação, mas totalmente alheia parecia ser uma destas profissionais avulsas que fazem “bicos” em festas para ganhar trinta reais por algumas horas de serviço do tipo: “só por hoje”.

Assentada nos degraus da piscina de bolinhas, com os cotovelos sobre os joelhos e as mãos escorando a cabeça, a jovem freelancer parecia mais estar esperando o próximo trem para a cidade de “me tirem daqui” do que para organizar a brincadeira e entreter as crianças, como qualquer bom profissional faria. Bem-feito! Perdeu-me como futuro cliente, já que sou pai de uma criança que também faz aniversários!

Para tentar desculpá-la naquilo que ela disse sem dizer, procurei justificavas para o descaso com o trabalho temporário e principalmente para com aquelas crianças, mas a indiferença dela gritava mais alto do que meus pensamentos. Foi aí que um insight me ocorreu: Imediatamente me veio a analogia com a atitude de muitos profissionais em nossas escolas. Eu mesmo conheço meia dúzia de professoras com comportamento muito semelhante ao daquela jovem da piscina de bolinhas. São os freelancers da educação, transviados de suas verdadeiras vocações fazem um “bico” como docente. Triste né?!

Esses docentes freelancers da educação, são meros batedores de ponto; boicotam reuniões pedagógicas, fazem corpo mole nos eventos escolares, quase nos convencem de que não têm o bastante e na maioria das vezes não têm nada a dizer, nem sugerir. Em contrapartida são ativistas militantes na reivindicação por melhores salários e atiradores de elite nas falhas dos colegas ou da direção da escola. Análogos àquela jovem, estão pouco se lixando para o processo ensino-aprendizagem e mal conhecem as pessoas para quem trabalham. Assentam-se nos degraus de entrada do átrio do saber e permanecem de costas ao que importa; alheias a tudo o que acontece mantém o pensamento bem longe dali e contam as horas do dia, os dias dos meses e os meses do ano para receber o próximo pagamento ou tirar as próximas férias.

Não me refiro exclusivamente aos professores de contrato temporário não! Estou me referindo aos professores concursados também, funcionários de carreira que se prestam ao papel de freelancers da educação. A sorte de nossas crianças e do sistema educacional é que estes tipos de profissionais não representam a categoria, nem sequer se parecem com os verdadeiros profissionais freelancers ou educadores que tive o privilégio de conhecer e saber existir. Eu acredito no profissionalismo de muitos trabalhadores temporários ou de carreira, só não gosto de ser enganado pelos oportunistas!

Os oportunistas de festas infantis e da Educação defloram os próprios sonhos e os próprios desejos. Violam a si mesmas quando se submetem a trabalhos contrários às suas aspirações e, por isto, ficam com aquela atitude indiferente, angustiada e cujo comportamento expressa a sua antipatia pelo que está fazendo, mas como precisam do dinheiro (apenas) se obrigam a cumprir o horário (ou o ano letivo) deste trabalho que para os vocacionados é uma dádiva, mas para si é só mais uma atividade remunerada.

Educadores de verdade exigem respeito ao ofício de professor e bravamente militam em favor do sistema educacional e dos próprios educandos. Freelancers da educação agem em favor de si mesmos, denigrem a imagem do verdadeiro educador e contaminam todo o sistema educacional.

Abraços,

Prof. Chafic
Chafic Jbeili

sábado, 13 de junho de 2009

FMI elogia liderança do Brasil


O Fundo Monetário Internacional (FMI) saudou a "liderança" e o "compromisso" demonstrados pelo Brasil, que emprestará US$ 10 bilhões ao organismo, informou na quarta-feira seu diretor-gerente, Dominique Strauss-Kahn. "O Brasil reafirma mais uma vez a firmeza de seu papel como destacada economia emergente", afirmou Strauss-Kahn, em comunicado.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou que o empréstimo será efetuado por meio da aquisição de bônus do organismo. Com a decisão, o país exerce, pela primeira vez, o papel de financiador do fundo, já que, apesar de integrar o grupo dos 47 países credores, o Brasil ainda não havia feito empréstimos fora de sua cota (hoje de US$ 4,7 bilhões).

Segundo Mantega, os financiamentos ao FMI serão feitos pela compra de bônus, expressos em direitos especiais de saque, modalidade que já existia no fundo e foi recuperada pelo Brasil. É como se o Brasil desse um cheque de US$ 10 bilhões ao FMI, para ser usado em caso de emergência, e pelo qual o país recebe juros - a taxa ainda não foi definida. "É uma aplicação que o Brasil está fazendo para o FMI poder ajudar os países em crise, principalmente os emergentes", disse Mantega. Segundo ele, essa modalidade de empréstimos é distinta da cota e provisória - enquanto o FMI não faz a reforma de cotas de participação dos países, aumentando a do Brasil e dos demais emergentes.

A decisão foi acertada na noite de terça-feira com o Presidente Lula, e já havia sido combinada durante a reunião do G-20 financeiro, em abril. "As autoridades brasileiras mostraram grande capacidade de liderança em seu compromisso com o processo de reforma do FMI e a expansão de nossos recursos, e me dá satisfação o fato de o Brasil mostrar claramente seu forte apoio ao sistema econômico e financeiro internacional", disse Strauss-Kahn.

Os US$ 10 bilhões serão provenientes das reservas internacionais, estimadas em US$ 200 bilhões, segundo números do Banco Central. As reservas permanecem inalteradas, uma vez que o Brasil apenas muda o tipo de aplicação. Em vez de aplicá-las em títulos do governo americano, investiria no FMI.

FMI elogia liderança do Brasil


O Fundo Monetário Internacional (FMI) saudou a "liderança" e o "compromisso" demonstrados pelo Brasil, que emprestará US$ 10 bilhões ao organismo, informou na quarta-feira seu diretor-gerente, Dominique Strauss-Kahn. "O Brasil reafirma mais uma vez a firmeza de seu papel como destacada economia emergente", afirmou Strauss-Kahn, em comunicado.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou que o empréstimo será efetuado por meio da aquisição de bônus do organismo. Com a decisão, o país exerce, pela primeira vez, o papel de financiador do fundo, já que, apesar de integrar o grupo dos 47 países credores, o Brasil ainda não havia feito empréstimos fora de sua cota (hoje de US$ 4,7 bilhões).

Segundo Mantega, os financiamentos ao FMI serão feitos pela compra de bônus, expressos em direitos especiais de saque, modalidade que já existia no fundo e foi recuperada pelo Brasil. É como se o Brasil desse um cheque de US$ 10 bilhões ao FMI, para ser usado em caso de emergência, e pelo qual o país recebe juros - a taxa ainda não foi definida. "É uma aplicação que o Brasil está fazendo para o FMI poder ajudar os países em crise, principalmente os emergentes", disse Mantega. Segundo ele, essa modalidade de empréstimos é distinta da cota e provisória - enquanto o FMI não faz a reforma de cotas de participação dos países, aumentando a do Brasil e dos demais emergentes.

A decisão foi acertada na noite de terça-feira com o Presidente Lula, e já havia sido combinada durante a reunião do G-20 financeiro, em abril. "As autoridades brasileiras mostraram grande capacidade de liderança em seu compromisso com o processo de reforma do FMI e a expansão de nossos recursos, e me dá satisfação o fato de o Brasil mostrar claramente seu forte apoio ao sistema econômico e financeiro internacional", disse Strauss-Kahn.

Os US$ 10 bilhões serão provenientes das reservas internacionais, estimadas em US$ 200 bilhões, segundo números do Banco Central. As reservas permanecem inalteradas, uma vez que o Brasil apenas muda o tipo de aplicação. Em vez de aplicá-las em títulos do governo americano, investiria no FMI.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Sobre as matérias publicadas nos últimos dias pelo jornal O Globo a respeito do uso da mamona na produção de biodiesel.

A mamona é, sim, viável para a produção de biodiesel. Do ponto de vista técnico, o óleo de mamona é adequado em misturas de até 30% com outros óleos, garantindo uma ótima qualidade do produto e agregando propriedades positivas, como a redução do ponto de congelamento e o percentual de iodo, e adequando-se às especificações européias. O uso de 30% de óleo de mamona na produção de biodiesel também atende integralmente à especificação da ANP. A mamona também tem grande rusticidade (capacidade de se adaptar ao semiarido brasileiro), boa qualidade do óleo, alto teor de óleo no grão (42%) e valor de sua torta (farelo, um subproduto da mamona), como fertilizante. Além disso, o seu manejo é amplamente conhecido pela agricultura familiar, o que agrega um importante componente social à busca de novas soluções energéticas.

A Petrobras não está utilizando o óleo de mamona, porque a produção dessa oleaginosa ainda não atingiu a escala necessária, o que se reflete no preço atual do produto – enquanto o litro do óleo da mamona custa R$ 3,00, o da soja é encontrado a R$ 1,90. Para obter escala e preço é essencial incentivar o aumento da produção. E a Petrobras trabalha justamente para desenvolver o mercado agrícola regional e expandir a lavoura da mamona no semiarido, ampliando, consequentemente, a oferta do grão e reduzindo preços. A Petrobras também investe em tecnologia para aumentar a produtividade dessa oleaginosa.
Por esse motivo, as usinas ainda operam apenas com óleo de soja e de algodão. Hoje, a mamona está estocada para concentrar o transporte e o processo de esmagamento dos grãos, obtendo, assim, uma eficiência logística maior para escoamento.

É importante destacar que, para estruturar a cadeia de negócios que envolve o mercado de biodiesel e contribuir para a manutenção do Selo Combustível Social, a Petrobras investe em diferentes ações. Na base dessas iniciativas, está o apoio ao agricultor, já que é necessário que 30% de suprimento de oleaginosas sejam oriundos da agricultura familiar. Nesse sentido, a meta da empresa é criar uma rede de cooperativas produzindo, beneficiando, transportando e comercializando matéria-prima para a produção de biodiesel nas usinas da Petrobras. Um exemplo é o projeto Cooperbio (Cooperativa de Produção da Agricultura Familiar e Biocombustíveis do Estado do Ceará), que promove geração de renda e capacitação dos agricultores familiares por meio do fomento à organização social e produtiva dos pequenos produtores e ao desenvolvimento de plantio de oleaginosas consorciadas com alimentos. O convênio foi firmado em 7/3/2008, com o objetivo de promover a inserção de cerca de 6 mil agricultores familiares no Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel – PNPB, através do cultivo sustentável de 5 mil ha mamona, 500 ha de girassol e 500 ha de algodão orgânico, garantindo a segurança alimentar e nutricional, como também a sua integração com outros projetos, programas e políticas públicas de apoio ao fortalecimento da Agricultura Familiar. Atualmente, já foram realizados o plantio das oleaginosas e alimentos previstos, bem como a capacitação dos agricultores familiares em técnicas de plantio consorciado.

Outra linha de ação é a prestação de serviços de assistência técnica agrícola aos agricultores familiares que fornecem para a Petrobras Biocombustível. Todos os contratos são feitos dentro da legislação, com instituições que preenchem todas as exigências técnicas e cujo pagamento é feito mediante comprovação de serviços prestados. O contrato prevê orientação do plantio da oleaginosa em todas as suas fases e acompanhamento da produção. Os exemplos mais recentes são os contratos de prestação de serviços de assistência técnica celebrados em 19/05/2009 com seis entidades, que atenderão 31.450 agricultores familiares do Ceará e do Piauí. Os contratos têm duração de dois anos e somam R$ 21,7 milhões, dos quais R$ 15,2 milhões serão destinados ao Instituto Agropólos do Ceará, que é vinculado a Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Ceará; R$ 499 mil para Emater-PI e R$ 5,9 milhões, divididos entre a Cooperativa Cearense de Prestação de Serviços e Assistência Técnica Ltda. (Cocepat), a Cooperativa de Prestação de Serviços e Assistência Técnica Ltda. (Copasat), a Cooperativa de Trabalho das Áreas de Reforma Agrária do Ceará (Cooptrace) e a Cooperativa dos Engenheiros Agrônomos do Estado do Ceará (Uniagro).

Além de assistência técnica, a Petrobras também tem firmado contratos de cinco anos, com garantia de compra de produção com base no preço de mercado, ou um preço básico acrescido de 10%, conforme estipulado no Programa de Garantia de Preços para a Agricultura Familiar (PGPAF). Também fazem parte o fornecimento de sementes, o recolhimento e transporte da safra e o apoio à organização dos pequenos agricultores em cooperativas.

Com essas bases, a Petrobras se prepara para entrar na próxima fase, que é de esmagamento dos grãos e extração do óleo de mamona para a produção de biodiesel nas usinas, que já foram projetadas com unidades de pré-tratamento de óleos vegetais brutos e estão preparadas para processar este óleo.
FONTE: http://petrobrasfatosedados.wordpress.com/2009/06/09/a-mamona-na-producao-do-biodiesel/

Sobre as matérias publicadas nos últimos dias pelo jornal O Globo a respeito do uso da mamona na produção de biodiesel.

A mamona é, sim, viável para a produção de biodiesel. Do ponto de vista técnico, o óleo de mamona é adequado em misturas de até 30% com outros óleos, garantindo uma ótima qualidade do produto e agregando propriedades positivas, como a redução do ponto de congelamento e o percentual de iodo, e adequando-se às especificações européias. O uso de 30% de óleo de mamona na produção de biodiesel também atende integralmente à especificação da ANP. A mamona também tem grande rusticidade (capacidade de se adaptar ao semiarido brasileiro), boa qualidade do óleo, alto teor de óleo no grão (42%) e valor de sua torta (farelo, um subproduto da mamona), como fertilizante. Além disso, o seu manejo é amplamente conhecido pela agricultura familiar, o que agrega um importante componente social à busca de novas soluções energéticas.

A Petrobras não está utilizando o óleo de mamona, porque a produção dessa oleaginosa ainda não atingiu a escala necessária, o que se reflete no preço atual do produto – enquanto o litro do óleo da mamona custa R$ 3,00, o da soja é encontrado a R$ 1,90. Para obter escala e preço é essencial incentivar o aumento da produção. E a Petrobras trabalha justamente para desenvolver o mercado agrícola regional e expandir a lavoura da mamona no semiarido, ampliando, consequentemente, a oferta do grão e reduzindo preços. A Petrobras também investe em tecnologia para aumentar a produtividade dessa oleaginosa.
Por esse motivo, as usinas ainda operam apenas com óleo de soja e de algodão. Hoje, a mamona está estocada para concentrar o transporte e o processo de esmagamento dos grãos, obtendo, assim, uma eficiência logística maior para escoamento.

É importante destacar que, para estruturar a cadeia de negócios que envolve o mercado de biodiesel e contribuir para a manutenção do Selo Combustível Social, a Petrobras investe em diferentes ações. Na base dessas iniciativas, está o apoio ao agricultor, já que é necessário que 30% de suprimento de oleaginosas sejam oriundos da agricultura familiar. Nesse sentido, a meta da empresa é criar uma rede de cooperativas produzindo, beneficiando, transportando e comercializando matéria-prima para a produção de biodiesel nas usinas da Petrobras. Um exemplo é o projeto Cooperbio (Cooperativa de Produção da Agricultura Familiar e Biocombustíveis do Estado do Ceará), que promove geração de renda e capacitação dos agricultores familiares por meio do fomento à organização social e produtiva dos pequenos produtores e ao desenvolvimento de plantio de oleaginosas consorciadas com alimentos. O convênio foi firmado em 7/3/2008, com o objetivo de promover a inserção de cerca de 6 mil agricultores familiares no Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel – PNPB, através do cultivo sustentável de 5 mil ha mamona, 500 ha de girassol e 500 ha de algodão orgânico, garantindo a segurança alimentar e nutricional, como também a sua integração com outros projetos, programas e políticas públicas de apoio ao fortalecimento da Agricultura Familiar. Atualmente, já foram realizados o plantio das oleaginosas e alimentos previstos, bem como a capacitação dos agricultores familiares em técnicas de plantio consorciado.

Outra linha de ação é a prestação de serviços de assistência técnica agrícola aos agricultores familiares que fornecem para a Petrobras Biocombustível. Todos os contratos são feitos dentro da legislação, com instituições que preenchem todas as exigências técnicas e cujo pagamento é feito mediante comprovação de serviços prestados. O contrato prevê orientação do plantio da oleaginosa em todas as suas fases e acompanhamento da produção. Os exemplos mais recentes são os contratos de prestação de serviços de assistência técnica celebrados em 19/05/2009 com seis entidades, que atenderão 31.450 agricultores familiares do Ceará e do Piauí. Os contratos têm duração de dois anos e somam R$ 21,7 milhões, dos quais R$ 15,2 milhões serão destinados ao Instituto Agropólos do Ceará, que é vinculado a Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Ceará; R$ 499 mil para Emater-PI e R$ 5,9 milhões, divididos entre a Cooperativa Cearense de Prestação de Serviços e Assistência Técnica Ltda. (Cocepat), a Cooperativa de Prestação de Serviços e Assistência Técnica Ltda. (Copasat), a Cooperativa de Trabalho das Áreas de Reforma Agrária do Ceará (Cooptrace) e a Cooperativa dos Engenheiros Agrônomos do Estado do Ceará (Uniagro).

Além de assistência técnica, a Petrobras também tem firmado contratos de cinco anos, com garantia de compra de produção com base no preço de mercado, ou um preço básico acrescido de 10%, conforme estipulado no Programa de Garantia de Preços para a Agricultura Familiar (PGPAF). Também fazem parte o fornecimento de sementes, o recolhimento e transporte da safra e o apoio à organização dos pequenos agricultores em cooperativas.

Com essas bases, a Petrobras se prepara para entrar na próxima fase, que é de esmagamento dos grãos e extração do óleo de mamona para a produção de biodiesel nas usinas, que já foram projetadas com unidades de pré-tratamento de óleos vegetais brutos e estão preparadas para processar este óleo.
FONTE: http://petrobrasfatosedados.wordpress.com/2009/06/09/a-mamona-na-producao-do-biodiesel/

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Reaprendendo com a Geopolitica

Manuel Cambeses Júnior*

As grandes transformações que ocorreram no mundo nas duas últimas décadas, dentre as quais tem um grande peso a expansão universal do espaço cibernético, carrearam, como conseqüência natural, notáveis transformações na geografia humana no planeta. Mudanças que se traduzem em uma reinterpretação histórica da Geopolítica e no questionamento de muitos de seus pressupostos, os quais eram conceituados de forma determinística pelo discurso clássico das ciências políticas.
Denominamos de Geopolítica a ciência que pretende interpretar os fenômenos que permeiam a política nacional ou internacional no estudo sistemático dos fatores geográficos, econômicos, raciais, culturais e religiosos.
Desde a criação do termo pelo renomado geógrafo sueco Rudolf Kjëllen, em 1916, em seu famoso livro em que consagra o Estado como organismo vivente, a Geopolítica desenvolveu seu conceito básico segundo o qual os Estados possuem muito das características dos organismos viventes.
Ao mesmo tempo, se anuncia a idéia de que um Estado teria de crescer, expandir-se ou morrer dentro das "fronteiras vivas". Devido a isso é que tais fronteiras têm uma natureza dinâmica e são susceptíveis a mudanças.
A Geopolítica é uma ciência que através da Geografia Política, da Geografia Descritiva e da História, estuda a causalidade espacial dos acontecimentos políticos e seus futuros efeitos. A Geopolítica teve grande aceitação na Alemanha, no alvorecer do século XX e atingiu grande difusão durante a primazia do regime nazista.
O general alemão Karl Hausshofer modernizou a Geografia Política utilizando-a como instrumento que justificasse a expansão da Alemanha durante o Terceiro Reich e desenvolvendo as teorias do espaço vital do geógrafo alemão Friedrich Ratzel (Lebensraum), apoiadas por Rudolf Kjëllen. Países como a Rússia, a China, e o Japão também deram grande importância a esta ciência durante os anos 30 e 40 do século passado, como meio para atingir o poder global.
A utilização propagandística da Geopolítica acarretou, após a derrota alemã na Segunda Guerra Mundial, seu descrédito e esquecimento, sobretudo no âmbito acadêmico. Não obstante, alguns segmentos, principalmente militares e diplomatas, seguiram interessados por este ramo da Geografia, na qual podia ler-se os acordos explicitados na Conferência de Yalta, onde ditaram as premissas ordenadoras do mundo pós-guerra e que, certamente, moldaram os paradigmas mantenedores da Guerra Fria.
Entretanto, as condições que emolduravam o conflito Leste-Oeste e os ideais democráticos do mundo ocidental fizeram modificar substancialmente seus fundamentos e objetivos. Daí se originaram novas teorias emanadas por potências como Inglaterra, França e Estados Unidos, que se orientaram basicamente a exercer o controle em determinados espaços terrestres e marítimos considerados chaves, o que se materializa por meio de uma gravitação estratégica e econômica, sem necessidade de perpetrar uma anexação territorial do tipo formal.
A expressão prática desta visão está consolidada no Tratado de Defesa do Atlântico Norte (OTAN) e foi sobejamente testada com a crise dos mísseis, ocorrida em 1962.
Fica bastante claro que sem os parâmetros ordenadores da Geopolítica, o mundo teria sido arrasado por uma hecatombe nuclear.
Após a queda do Muro de Berlim, que pôs fim à Guerra Fria, a Geopolítica retomou o interesse perdido e voltou a crescer ao amparo das tensões internacionais surgidas com o desmembramento da União Soviética.
É nesse cenário que emergem os Estados Unidos como a superpotência única, sem contrapesos imediatos.
Esta situação os incentiva a iniciar o desenvolvimento de uma política de poder tendente ao controle do mundo, e que tenta legitimar sobre as bases de ser o vencedor da Guerra Fria e de sua superior qualidade econômica, cultural e militar.
Dissipa-se assim o tradicional conflito Leste-Oeste e começam a ser mais notórias as diferenças no que concerne a níveis culturais e de desenvolvimento do eixo Norte-Sul.
O Estado-Nação continua sendo o elemento básico do sistema internacional que aglutina a identidade nacional, a coesão de um povo e mantém a sua soberania.
Entretanto, já não constitui o único ator relevante e a soberania muitas vezes deve subordinar-se à conveniência de acatar as regras impostas pela globalização.
No cenário atual surgem novos e atuantes atores. Entre estes podemos enumerar os blocos econômicos regionais, as reagrupações de Estados objetivando a defesa mútua, as grandes empresas multinacionais e as organizações não governamentais.
Entretanto, a Geopolítica segue vigente, com novos atores e cenários, porém em franco desenvolvimento.

*Manuel Cambeses Júnior é coronel-aviador, conferencista especial da Escola Superior de Guerra, membro do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil e vice-diretor do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica (INCAER).

Fonte:http://www.adesg.org.br/portal/canal-livre/leituras-selecionadas/65-reaprendendo-com-a-geopolitica

Reaprendendo com a Geopolitica

Manuel Cambeses Júnior*

As grandes transformações que ocorreram no mundo nas duas últimas décadas, dentre as quais tem um grande peso a expansão universal do espaço cibernético, carrearam, como conseqüência natural, notáveis transformações na geografia humana no planeta. Mudanças que se traduzem em uma reinterpretação histórica da Geopolítica e no questionamento de muitos de seus pressupostos, os quais eram conceituados de forma determinística pelo discurso clássico das ciências políticas.
Denominamos de Geopolítica a ciência que pretende interpretar os fenômenos que permeiam a política nacional ou internacional no estudo sistemático dos fatores geográficos, econômicos, raciais, culturais e religiosos.
Desde a criação do termo pelo renomado geógrafo sueco Rudolf Kjëllen, em 1916, em seu famoso livro em que consagra o Estado como organismo vivente, a Geopolítica desenvolveu seu conceito básico segundo o qual os Estados possuem muito das características dos organismos viventes.
Ao mesmo tempo, se anuncia a idéia de que um Estado teria de crescer, expandir-se ou morrer dentro das "fronteiras vivas". Devido a isso é que tais fronteiras têm uma natureza dinâmica e são susceptíveis a mudanças.
A Geopolítica é uma ciência que através da Geografia Política, da Geografia Descritiva e da História, estuda a causalidade espacial dos acontecimentos políticos e seus futuros efeitos. A Geopolítica teve grande aceitação na Alemanha, no alvorecer do século XX e atingiu grande difusão durante a primazia do regime nazista.
O general alemão Karl Hausshofer modernizou a Geografia Política utilizando-a como instrumento que justificasse a expansão da Alemanha durante o Terceiro Reich e desenvolvendo as teorias do espaço vital do geógrafo alemão Friedrich Ratzel (Lebensraum), apoiadas por Rudolf Kjëllen. Países como a Rússia, a China, e o Japão também deram grande importância a esta ciência durante os anos 30 e 40 do século passado, como meio para atingir o poder global.
A utilização propagandística da Geopolítica acarretou, após a derrota alemã na Segunda Guerra Mundial, seu descrédito e esquecimento, sobretudo no âmbito acadêmico. Não obstante, alguns segmentos, principalmente militares e diplomatas, seguiram interessados por este ramo da Geografia, na qual podia ler-se os acordos explicitados na Conferência de Yalta, onde ditaram as premissas ordenadoras do mundo pós-guerra e que, certamente, moldaram os paradigmas mantenedores da Guerra Fria.
Entretanto, as condições que emolduravam o conflito Leste-Oeste e os ideais democráticos do mundo ocidental fizeram modificar substancialmente seus fundamentos e objetivos. Daí se originaram novas teorias emanadas por potências como Inglaterra, França e Estados Unidos, que se orientaram basicamente a exercer o controle em determinados espaços terrestres e marítimos considerados chaves, o que se materializa por meio de uma gravitação estratégica e econômica, sem necessidade de perpetrar uma anexação territorial do tipo formal.
A expressão prática desta visão está consolidada no Tratado de Defesa do Atlântico Norte (OTAN) e foi sobejamente testada com a crise dos mísseis, ocorrida em 1962.
Fica bastante claro que sem os parâmetros ordenadores da Geopolítica, o mundo teria sido arrasado por uma hecatombe nuclear.
Após a queda do Muro de Berlim, que pôs fim à Guerra Fria, a Geopolítica retomou o interesse perdido e voltou a crescer ao amparo das tensões internacionais surgidas com o desmembramento da União Soviética.
É nesse cenário que emergem os Estados Unidos como a superpotência única, sem contrapesos imediatos.
Esta situação os incentiva a iniciar o desenvolvimento de uma política de poder tendente ao controle do mundo, e que tenta legitimar sobre as bases de ser o vencedor da Guerra Fria e de sua superior qualidade econômica, cultural e militar.
Dissipa-se assim o tradicional conflito Leste-Oeste e começam a ser mais notórias as diferenças no que concerne a níveis culturais e de desenvolvimento do eixo Norte-Sul.
O Estado-Nação continua sendo o elemento básico do sistema internacional que aglutina a identidade nacional, a coesão de um povo e mantém a sua soberania.
Entretanto, já não constitui o único ator relevante e a soberania muitas vezes deve subordinar-se à conveniência de acatar as regras impostas pela globalização.
No cenário atual surgem novos e atuantes atores. Entre estes podemos enumerar os blocos econômicos regionais, as reagrupações de Estados objetivando a defesa mútua, as grandes empresas multinacionais e as organizações não governamentais.
Entretanto, a Geopolítica segue vigente, com novos atores e cenários, porém em franco desenvolvimento.

*Manuel Cambeses Júnior é coronel-aviador, conferencista especial da Escola Superior de Guerra, membro do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil e vice-diretor do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica (INCAER).

Fonte:http://www.adesg.org.br/portal/canal-livre/leituras-selecionadas/65-reaprendendo-com-a-geopolitica

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Onde estão os intelectuais brasileiros?


No Brasil do século XIX não havia espaços próprios para a intelectualidade. Já durante o Império, uma alternativa dos pensadores de então era a carreira na diplomacia, posto público que garantia ganho financeiro, permitindo atividade intelectual paralela. Só no século XX se dá a consolidação de instituições “propriamente intelec¬tuais”, como as universidades, abrindo “car¬reiras” autônomas e, a partir disso, ocorre a profissionalização da atividade. Por fim, no século XXI, a diversidade de funções desempenhadas pelos intelectuais abre espaço para novas e diferentes compreensões, o que pode confundir a sociedade no que diz respeito aos papéis representados por eles hoje.
Para a doutora em Sociologia na USP Angela Alonso, há “profissionais do conhecimento”, vinculados à universidade “da porta para dentro”; e há “intelectuais públicos”, empenhados na enunciação e posicionamento político. Muitos entendem que a universidade passou por um processo de burocratização, tornando-se um lócus de habilitações, mais instrumental do que especulativo. É o que pondera o jornalista Bernardo Kucinski, para quem a fase da grande sociologia se foi. “Não é mais a ciência dos gênios, é a ciência das carreiras”, argumenta. O status da carreira passa a se nortear por requisitos da universidade, como a “produtividade” mediante publicações, títulos, orientações. “Se quer ter uma trajetória bem-sucedida na academia, há pouco espaço para organizar manifestações a favor dos países do Terceiro Mundo”, provoca Fábio Pereira, jornalista e doutor em Comunicação pela UnB.
“No Brasil, infelizmente, há intelectuais que simplesmente fazem seu trabalho acadêmico. Eles estão pensando, produzindo novas ideias, livros, teses, mas não se envolvem em questões amplas, não estão preo¬cupados com engajamento. Contudo, um outro setor – além da atividade estrita, acadêmica – assume a disposição de responder às inquietações muitas vezes causadas pela sua própria realidade, pelo tempo presente, com atitudes políticas mais explícitas”, sustenta a historiadora Sílvia Miskulin.
A pluralidade de papéis ecoa na linha política. Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, construiu uma carreira intelectual, mas passou aos cânones da carreira política. De acordo com o historiador Francisco Alambert Junior, os intelectuais desta geração se dividem: os que se despolitizam, impregnados pela ideia-mestra de que “não há mais utopias”, dedicando-se unicamente à academia – onde, “a rigor, não há diferença entre um filósofo e um engenheiro, trata-se de técnica” –, e os que assumem novos ideais. Há também intelectuais de esquerda que içaram iniciativas. “A ficha número 1 de fundação do PT é do Mário Pedrosa, a número 2 é do Antonio Candido, a 3 é do Sérgio Buarque de Hollanda”, exemplifica Alambert.
A historiadora Maria Helena Capelato corrobora essas considerações e faz uma distinção entre os pensadores comprometidos com a vida política. “Há intelectuais ligados ao PSDB e ao PT; há aqueles engajados, mas sem vinculação partidária, e há os que apenas produzem conhecimento mantendo a velha postura, típica do século XIX do ‘sábio’ pensando e falando para si mesmo”, pondera.

“Bons tempos” Para quem se lembra dos “bons tempos” da intelectualidade brasileira – expressão que mereceria várias aspas –, a efervescência cultural durante a ditadura militar brasileira aglutinou artistas, jornalistas e intelectuais contra os sufocantes ares ditatoriais, arbitrariedades, repressão, censura, isto é, por uma causa comum. As manifestações culturais dessa época evidenciam disparidades entre o passado dos intelectuais acossados e o presente.
“Os intelectuais tiveram papel político muito importante na redemocratização do país; tanto os de esquerda como os de direita tomaram parte ativa na luta política, orientando-se por objetivos opostos, mas a partir de tentativas de intervenção direta nos rumos da História”, analisa Capelato. “Neste caso, participaram do debate político em prol de uma causa: a ditadura ou a sua derrubada. Mas nem sempre o intelectual tem esse papel e, no momento atual, acredito que vivemos uma fase de carência de ideias novas e reflexões aprofundadas sobre as questões mais importantes do Brasil e do mundo. Não poderia dizer quem são os nossos intelectuais hoje porque poucos têm contribuído por meio de debates, publicações ou interferências relevantes para a melhor compreensão dos problemas que vivemos e para apontar soluções novas. Acredito que, no momento, há um vazio de ideias”. A historiadora Maria Aparecida de Aquino concorda que “os intelectuais já tiveram uma posição mais proeminente” no debate político do Brasil. Entre as décadas de 1930 e 70, ela nota que havia uma postura mais incisiva. “Poderíamos ter uma atuação maior. Não é que sairíamos aí pela rua, fazendo passeata; não é isso, e sim ter uma presença mais forte”, reflete.
Alambert destaca que é preciso pensar no contexto sociopolítico em que os intelectuais da nova geração começaram a atuar. Aos 44 anos, ele narra que sua geração basicamente nasceu na ditadura, tendo passado os primeiros 18 anos de sua vida convivendo com o Estado autoritário. Os intelectuais da geração passada, por sua vez, nasceram durante o Estado Novo e alcançaram a vida adulta com a ditadura militar e, tavez por isso, tenham tido um comprometimento maior, por terem mais motivos “reais” para tanto. “Afinal, a ditadura é eminentemente anti-intelectual”, sustenta.
Mas, ainda que baqueados com as consequências do golpe principalmente após o AI-5, uma expressiva trupe de artistas e intelectuais, engajados e eufóricos, buscou novos caminhos e vias alternativas de expressão. Entretanto, Alambert adverte que “vulgarmente tendemos a identificar os intelectuais com a oposição e com a esquerda. Não era, nem nunca foi assim. Inclusive, há intelectuais que apoiaram o golpe; eram de direita e ultraconservadores; fizeram os jornais tais quais eles são no Brasil”, pondera. “Mas, sobretudo naquele momento, os intelectuais de esquerda – e isso é um evento único na história do Brasil – tiveram quase hegemonia no processo cultural, nas universidades, nos museus.”
Na década de 1980, marcada pela crise da China maoísta, da União Soviética stalinista e de Cuba, a esquerda aviltada viu-se à beira de um colapso. Nesse contexto, Alambert analisa que “o marxismo como forma essencial de crítica à sociedade capitalista quase cai, substituído por uma série de novas modas importadas, no prêt-à-porter internacional das ideias, de pós-estruturalismo, pós-modernismos, o retorno do discurso liberal, neoliberal, culturalismos”. Nos últimos anos, principalmente com Lula no poder, ele identifica um novo modismo: a ascensão de uma intelectua¬lidade de direita, com pensadores ultraconservadores conquistando espaços, inclusive com um expressivo veículo próprio, a revista Veja, “muito mais do que os liberais do Estadão”, alfineta Alambert. Todavia, ele vê uma tendência alternativa de jovens intelectuais propondo uma nova esquerda, um novo papel, buscando “construir uma nova coisa”.

Os intelectuais e a mídia Pode-se esperar dos intelectuais a crítica constante à realidade, especialmente com a ideia de Edward Said sobre o intelectual como “um perturbador do status quo”. Contudo, Angela afirma que “da mesma maneira como há os que criticam o status quo, há intelectuais que o legitimam, construindo as justificativas da ordem existente”.
Para a jornalista Michelle Prazeres, há quem pense “o intelectual no sentido pejorativo, sendo aquele que mergulha nos estudos e fica alheio ao mundo”, conceito do qual ela discorda. “Compartilho de uma concepção de intelectualidade a serviço da construção de algo, da produção do conhecimento a serviço da sociedade e – no limite – a serviço da política”. Gramsciana, a professora da PUC-SP se ancora no teórico, que “diz que o intelectual não seria afastado do mundo produtivo ou mergulhado na retórica abstrata, mas seria ao mesmo tempo especialista e político”. Ela acredita que os intelectuais seriam engrenagens do motor de transformação. “As outras são os partidos, ONGs, movimentos, grupos de jovens, enfim... O papel dos intelectuais é o de provocar, criar cenários, ensaiar, discutir, refletir, historicizar, recuperar experiências e histórias, contextualizar vivências, promover a reflexão a partir da teoria. Articulados com as demais engrenagens, eles podem provocar transformação. Mas nunca sozinhos”.
O filósofo e jornalista Paulo Pereira Lima caminha na mesma direção. “Gramsci falava de um intelectual orgânico, que tem pé no chão, contato direto com a realidade e não só com os livros empoeirados”. Para ele, é preciso aproximar a academia e a comunidade, mediante a sociedade civil organizada como movimentos sociais ou ONGs, cabendo ao intelectual a reflexão crítica da prática dos movimentos para consolidá-los como pauta política. “Por outro lado, o movimento social está criando seus próprios intelectuais”, diz, citando a Escola Nacional Florestan Fernandes – a “universidade popular” do MST – e a internacional Via Campesina. Exemplo maior seria o Fórum Social Mundial, “encontro de intelectuais engajados que acreditam na força de um movimento social, de uma mídia alternativa, de uma mídia livre. O Fórum é um momento de protesto e proposta”, acredita. Lima destaca que não se trata de os intelectuais se acostarem dos movimentos, usando-os como baluarte, mas seria necessário estabelecer uma relação dialética, casando prática e pensamento teórico, sob constante diálogo para trilhar caminhos melhores.
Na mídia, paira sobre o intelectual uma aura erudita que ora potencializa sua voz por seu prestígio como fontes de informação legítimas, ora o afasta por seu discurso demasiadamente teórico. “A imprensa é um grande espaço para os intelectuais, para o bem e para o mal”, avalia Angela. Já Maria Aparecida Aquino critica que, “principalmente nas instituições públicas mais tradicionais, às vezes há uma tendência de achar que a mídia é muito ligeira, que não é conhecimento com fundamentação teórica. Por isso, não há um namoro entre os intelectuais e a mídia”. Inspirados na Teoria Crítica dos frankfurtianos, há intelectuais que demonizam a mídia, acreditando que “o seu conhecimento será morto a partir do momento que for consumido pela indústria cultural”, esclarece.
No entanto, alicerçando-se na teoria de Michel de Certeau, Aquino discorda desse ponto de vista. “Devemos transformar em bom tudo aquilo que eventualmente poderia ser mal. Evidentemente devemos ser críticos em relação à mídia; não devemos viver um grande amor, mas dar à mídia a possibilidade de transformação, com a nossa opinião”, analisa. “Não adianta ficarmos nos intramuros de nossos prédios, com uma produção que é lida pelas bancas de nossas dissertações e teses. Quem mais lê nossos trabalhos? Para quem se divulga conhecimento? Se a relação com a mídia fosse melhor, mais articulada, com certeza nós teríamos realizado um pouco mais do nosso trabalho e de fato cumprido com nosso papel com a sociedade”.
Mas o sociólogo Marcelo Ridenti diferencia que “uma coisa é a participação dos intelectuais na mídia, outra coisa é a visibilidade”. Para ele, “as duas coisas são paralelas, mas não coincidem”, pois “a lógica da mídia é a pauta que vende mais”. Afinada com essa posição, Michelle Prazeres afirma que “a mídia hoje é um espaço de disputa de valores. O que acontece é que esta disputa é extremamente desigual, porque a liberdade de expressão no nosso país é para poucos, para aqueles que detêm o monopólio da comunicação. Em tese, a mídia seria o espaço de um debate plural e diverso, mas sabemos que não é isso que acontece”. Não raro, a mídia tradicional, fincada em valores predominantemente liberais e neoliberais, dá voz apenas a quem condiz com seu ideário.
Nessa disputa desigual, poucos intelectuais mais críticos furam o cerco com sua opinião, “mas nada se compara àqueles a quem diariamente são oferecidas páginas e mais páginas para defender suas ideias. O estrago que um intelectual pode fazer é potencialmente maior, já que a mídia costuma alçá-lo à condição de especialista. O especialista fala, é lei. O ‘doutor’ fala, é a verdade”, critica Prazeres. A conquista de legitimidade pelos intelectuais na mídia, portanto, implica muitos lados de muitas moedas. “Se todos fossem intelectuais, como afirma Gramsci, talvez os intelectuais não fossem tão escutados”, crê Fábio.
Alambert sustenta que as relações estremecidas entre jornalistas e intelectuais não é de hoje. “Historicamente, há uma oposição marcante, principalmente no final do século XIX e início do século XX, entre o intelectual acadêmico, erudito, culto, e o intelectual boêmio, cujo grande representante sempre foi o jornalista. Nos melhores momentos da história das ideias, essas duas figuras se cruzam”. Ele critica ainda a ideia de que a imprensa tradicional se constitui no único meio para o intelectual se aproximar da sociedade. “Não é”, dispara, questionando quem realmente lê jornais e revistas nesse país, quem está do outro lado. “Você está comunicando o quê? Para quem? Isso demanda uma outra busca de diálogo, e ele tem que passar forçosamente pela mídia? Intelectual não é guru, não ensina a verdade aos ignorantes, ao contrário, aprende com a realidade”. Ainda que o intelectual não seja o “dono da verdade”, há mentes pulsantes discutindo o Brasil e, por mais tímidas e descompassadas que às vezes possam aparentar, suas vozes são tudo, menos inexpressivas. F

O que é um intelectual
O Caso Dreyfus é emblemático para se buscar as raízes da expressão “intelectual”. Para Fábio, “a definição tradicional, nascida na França no início do século XX é do indivíduo que sai ocasionalmente da sua esfera de competências para se engajar no espaço público a favor de causas universais, ligadas ao direito do Homem”. Ilustraria essa definição o caso de Émile Zola em favor de Dreyfus, de Jean-Paul Sartre pela libertação da Argélia e de Michel Foucault sobre as condições de vida nas prisões francesas.
No entanto, além da definição clássica, Sílvia aponta outra ideia de intelectual que, sob uma perspectiva mais ampla, comportaria “todos aqueles que atuam no âmbito da produção de ideias; então, um professor pode ser um intelectual, um jornalista, um escritor, um artista”. Já Maria Helena considera que se alguém “produz um conhecimento novo, é um intelectual; se ele apenas o divulga, é um transmissor”. “O intelectual é um ator político que se vale de seus conhecimentos para pensar sobre as questões de seu tempo e sobre a sociedade em que vive”, ela define. Teoriza ainda, elucidando que “Ortega y Gasset e os intelectuais latino-americanos adotavam uma perspectiva ‘circunstancialista’ que permitia pensar o intelectual a partir de sua circunstância”. Mas Maria Helena pondera que “qualquer definição do intelectual é contestável, porque ela tem uma história que se modifica ao longo do tempo, como diz Jean-François Sirinelli. A própria história intelectual é um fenômeno recente, e que na França adquiriu reconhecimento entre historiadores a partir do momento em que teve início um debate sobre seu papel”. Apesar de serem históricas as definições dos intelectuais – sartreana (intelectual engajado), gramsciana (intelectual orgânico) ou intelectual descompromissado vivendo numa torre de marfim –, não se pode negar que essas posições continuem existindo nos dias de hoje”.
Para o ensaísta palestino-americano Edward Said, deve-se “insistir no fato de o intelectual ser um indivíduo com um papel público na sociedade, que não pode ser reduzido simplesmente a um profissional sem rosto”. Em Representações do Intelectual (Companhia das Letras, 2005), Said diz que o intelectual deve articular um ponto de vista, uma atitude e uma opinião para e por um público: “E esse papel encerra uma certa agudeza, pois não pode ser desempenhado sem a consciência de se ser alguém cuja função é levantar publicamente questões embaraçosas, confrontar ortodoxias e dogmas (mais do que produzi-los); isto é, alguém que não pode ser facilmente cooptado por governos ou corporações, e cuja raison d’être é representar todas as pessoas e todos os problemas que são sistematicamente esquecidos ou varridos para debaixo do tapete”.
Juliana Sayuri Ogassawara
http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/EdicaoNoticiaIntegra.asp?id_artigo=6979

Onde estão os intelectuais brasileiros?


No Brasil do século XIX não havia espaços próprios para a intelectualidade. Já durante o Império, uma alternativa dos pensadores de então era a carreira na diplomacia, posto público que garantia ganho financeiro, permitindo atividade intelectual paralela. Só no século XX se dá a consolidação de instituições “propriamente intelec¬tuais”, como as universidades, abrindo “car¬reiras” autônomas e, a partir disso, ocorre a profissionalização da atividade. Por fim, no século XXI, a diversidade de funções desempenhadas pelos intelectuais abre espaço para novas e diferentes compreensões, o que pode confundir a sociedade no que diz respeito aos papéis representados por eles hoje.
Para a doutora em Sociologia na USP Angela Alonso, há “profissionais do conhecimento”, vinculados à universidade “da porta para dentro”; e há “intelectuais públicos”, empenhados na enunciação e posicionamento político. Muitos entendem que a universidade passou por um processo de burocratização, tornando-se um lócus de habilitações, mais instrumental do que especulativo. É o que pondera o jornalista Bernardo Kucinski, para quem a fase da grande sociologia se foi. “Não é mais a ciência dos gênios, é a ciência das carreiras”, argumenta. O status da carreira passa a se nortear por requisitos da universidade, como a “produtividade” mediante publicações, títulos, orientações. “Se quer ter uma trajetória bem-sucedida na academia, há pouco espaço para organizar manifestações a favor dos países do Terceiro Mundo”, provoca Fábio Pereira, jornalista e doutor em Comunicação pela UnB.
“No Brasil, infelizmente, há intelectuais que simplesmente fazem seu trabalho acadêmico. Eles estão pensando, produzindo novas ideias, livros, teses, mas não se envolvem em questões amplas, não estão preo¬cupados com engajamento. Contudo, um outro setor – além da atividade estrita, acadêmica – assume a disposição de responder às inquietações muitas vezes causadas pela sua própria realidade, pelo tempo presente, com atitudes políticas mais explícitas”, sustenta a historiadora Sílvia Miskulin.
A pluralidade de papéis ecoa na linha política. Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, construiu uma carreira intelectual, mas passou aos cânones da carreira política. De acordo com o historiador Francisco Alambert Junior, os intelectuais desta geração se dividem: os que se despolitizam, impregnados pela ideia-mestra de que “não há mais utopias”, dedicando-se unicamente à academia – onde, “a rigor, não há diferença entre um filósofo e um engenheiro, trata-se de técnica” –, e os que assumem novos ideais. Há também intelectuais de esquerda que içaram iniciativas. “A ficha número 1 de fundação do PT é do Mário Pedrosa, a número 2 é do Antonio Candido, a 3 é do Sérgio Buarque de Hollanda”, exemplifica Alambert.
A historiadora Maria Helena Capelato corrobora essas considerações e faz uma distinção entre os pensadores comprometidos com a vida política. “Há intelectuais ligados ao PSDB e ao PT; há aqueles engajados, mas sem vinculação partidária, e há os que apenas produzem conhecimento mantendo a velha postura, típica do século XIX do ‘sábio’ pensando e falando para si mesmo”, pondera.

“Bons tempos” Para quem se lembra dos “bons tempos” da intelectualidade brasileira – expressão que mereceria várias aspas –, a efervescência cultural durante a ditadura militar brasileira aglutinou artistas, jornalistas e intelectuais contra os sufocantes ares ditatoriais, arbitrariedades, repressão, censura, isto é, por uma causa comum. As manifestações culturais dessa época evidenciam disparidades entre o passado dos intelectuais acossados e o presente.
“Os intelectuais tiveram papel político muito importante na redemocratização do país; tanto os de esquerda como os de direita tomaram parte ativa na luta política, orientando-se por objetivos opostos, mas a partir de tentativas de intervenção direta nos rumos da História”, analisa Capelato. “Neste caso, participaram do debate político em prol de uma causa: a ditadura ou a sua derrubada. Mas nem sempre o intelectual tem esse papel e, no momento atual, acredito que vivemos uma fase de carência de ideias novas e reflexões aprofundadas sobre as questões mais importantes do Brasil e do mundo. Não poderia dizer quem são os nossos intelectuais hoje porque poucos têm contribuído por meio de debates, publicações ou interferências relevantes para a melhor compreensão dos problemas que vivemos e para apontar soluções novas. Acredito que, no momento, há um vazio de ideias”. A historiadora Maria Aparecida de Aquino concorda que “os intelectuais já tiveram uma posição mais proeminente” no debate político do Brasil. Entre as décadas de 1930 e 70, ela nota que havia uma postura mais incisiva. “Poderíamos ter uma atuação maior. Não é que sairíamos aí pela rua, fazendo passeata; não é isso, e sim ter uma presença mais forte”, reflete.
Alambert destaca que é preciso pensar no contexto sociopolítico em que os intelectuais da nova geração começaram a atuar. Aos 44 anos, ele narra que sua geração basicamente nasceu na ditadura, tendo passado os primeiros 18 anos de sua vida convivendo com o Estado autoritário. Os intelectuais da geração passada, por sua vez, nasceram durante o Estado Novo e alcançaram a vida adulta com a ditadura militar e, tavez por isso, tenham tido um comprometimento maior, por terem mais motivos “reais” para tanto. “Afinal, a ditadura é eminentemente anti-intelectual”, sustenta.
Mas, ainda que baqueados com as consequências do golpe principalmente após o AI-5, uma expressiva trupe de artistas e intelectuais, engajados e eufóricos, buscou novos caminhos e vias alternativas de expressão. Entretanto, Alambert adverte que “vulgarmente tendemos a identificar os intelectuais com a oposição e com a esquerda. Não era, nem nunca foi assim. Inclusive, há intelectuais que apoiaram o golpe; eram de direita e ultraconservadores; fizeram os jornais tais quais eles são no Brasil”, pondera. “Mas, sobretudo naquele momento, os intelectuais de esquerda – e isso é um evento único na história do Brasil – tiveram quase hegemonia no processo cultural, nas universidades, nos museus.”
Na década de 1980, marcada pela crise da China maoísta, da União Soviética stalinista e de Cuba, a esquerda aviltada viu-se à beira de um colapso. Nesse contexto, Alambert analisa que “o marxismo como forma essencial de crítica à sociedade capitalista quase cai, substituído por uma série de novas modas importadas, no prêt-à-porter internacional das ideias, de pós-estruturalismo, pós-modernismos, o retorno do discurso liberal, neoliberal, culturalismos”. Nos últimos anos, principalmente com Lula no poder, ele identifica um novo modismo: a ascensão de uma intelectua¬lidade de direita, com pensadores ultraconservadores conquistando espaços, inclusive com um expressivo veículo próprio, a revista Veja, “muito mais do que os liberais do Estadão”, alfineta Alambert. Todavia, ele vê uma tendência alternativa de jovens intelectuais propondo uma nova esquerda, um novo papel, buscando “construir uma nova coisa”.

Os intelectuais e a mídia Pode-se esperar dos intelectuais a crítica constante à realidade, especialmente com a ideia de Edward Said sobre o intelectual como “um perturbador do status quo”. Contudo, Angela afirma que “da mesma maneira como há os que criticam o status quo, há intelectuais que o legitimam, construindo as justificativas da ordem existente”.
Para a jornalista Michelle Prazeres, há quem pense “o intelectual no sentido pejorativo, sendo aquele que mergulha nos estudos e fica alheio ao mundo”, conceito do qual ela discorda. “Compartilho de uma concepção de intelectualidade a serviço da construção de algo, da produção do conhecimento a serviço da sociedade e – no limite – a serviço da política”. Gramsciana, a professora da PUC-SP se ancora no teórico, que “diz que o intelectual não seria afastado do mundo produtivo ou mergulhado na retórica abstrata, mas seria ao mesmo tempo especialista e político”. Ela acredita que os intelectuais seriam engrenagens do motor de transformação. “As outras são os partidos, ONGs, movimentos, grupos de jovens, enfim... O papel dos intelectuais é o de provocar, criar cenários, ensaiar, discutir, refletir, historicizar, recuperar experiências e histórias, contextualizar vivências, promover a reflexão a partir da teoria. Articulados com as demais engrenagens, eles podem provocar transformação. Mas nunca sozinhos”.
O filósofo e jornalista Paulo Pereira Lima caminha na mesma direção. “Gramsci falava de um intelectual orgânico, que tem pé no chão, contato direto com a realidade e não só com os livros empoeirados”. Para ele, é preciso aproximar a academia e a comunidade, mediante a sociedade civil organizada como movimentos sociais ou ONGs, cabendo ao intelectual a reflexão crítica da prática dos movimentos para consolidá-los como pauta política. “Por outro lado, o movimento social está criando seus próprios intelectuais”, diz, citando a Escola Nacional Florestan Fernandes – a “universidade popular” do MST – e a internacional Via Campesina. Exemplo maior seria o Fórum Social Mundial, “encontro de intelectuais engajados que acreditam na força de um movimento social, de uma mídia alternativa, de uma mídia livre. O Fórum é um momento de protesto e proposta”, acredita. Lima destaca que não se trata de os intelectuais se acostarem dos movimentos, usando-os como baluarte, mas seria necessário estabelecer uma relação dialética, casando prática e pensamento teórico, sob constante diálogo para trilhar caminhos melhores.
Na mídia, paira sobre o intelectual uma aura erudita que ora potencializa sua voz por seu prestígio como fontes de informação legítimas, ora o afasta por seu discurso demasiadamente teórico. “A imprensa é um grande espaço para os intelectuais, para o bem e para o mal”, avalia Angela. Já Maria Aparecida Aquino critica que, “principalmente nas instituições públicas mais tradicionais, às vezes há uma tendência de achar que a mídia é muito ligeira, que não é conhecimento com fundamentação teórica. Por isso, não há um namoro entre os intelectuais e a mídia”. Inspirados na Teoria Crítica dos frankfurtianos, há intelectuais que demonizam a mídia, acreditando que “o seu conhecimento será morto a partir do momento que for consumido pela indústria cultural”, esclarece.
No entanto, alicerçando-se na teoria de Michel de Certeau, Aquino discorda desse ponto de vista. “Devemos transformar em bom tudo aquilo que eventualmente poderia ser mal. Evidentemente devemos ser críticos em relação à mídia; não devemos viver um grande amor, mas dar à mídia a possibilidade de transformação, com a nossa opinião”, analisa. “Não adianta ficarmos nos intramuros de nossos prédios, com uma produção que é lida pelas bancas de nossas dissertações e teses. Quem mais lê nossos trabalhos? Para quem se divulga conhecimento? Se a relação com a mídia fosse melhor, mais articulada, com certeza nós teríamos realizado um pouco mais do nosso trabalho e de fato cumprido com nosso papel com a sociedade”.
Mas o sociólogo Marcelo Ridenti diferencia que “uma coisa é a participação dos intelectuais na mídia, outra coisa é a visibilidade”. Para ele, “as duas coisas são paralelas, mas não coincidem”, pois “a lógica da mídia é a pauta que vende mais”. Afinada com essa posição, Michelle Prazeres afirma que “a mídia hoje é um espaço de disputa de valores. O que acontece é que esta disputa é extremamente desigual, porque a liberdade de expressão no nosso país é para poucos, para aqueles que detêm o monopólio da comunicação. Em tese, a mídia seria o espaço de um debate plural e diverso, mas sabemos que não é isso que acontece”. Não raro, a mídia tradicional, fincada em valores predominantemente liberais e neoliberais, dá voz apenas a quem condiz com seu ideário.
Nessa disputa desigual, poucos intelectuais mais críticos furam o cerco com sua opinião, “mas nada se compara àqueles a quem diariamente são oferecidas páginas e mais páginas para defender suas ideias. O estrago que um intelectual pode fazer é potencialmente maior, já que a mídia costuma alçá-lo à condição de especialista. O especialista fala, é lei. O ‘doutor’ fala, é a verdade”, critica Prazeres. A conquista de legitimidade pelos intelectuais na mídia, portanto, implica muitos lados de muitas moedas. “Se todos fossem intelectuais, como afirma Gramsci, talvez os intelectuais não fossem tão escutados”, crê Fábio.
Alambert sustenta que as relações estremecidas entre jornalistas e intelectuais não é de hoje. “Historicamente, há uma oposição marcante, principalmente no final do século XIX e início do século XX, entre o intelectual acadêmico, erudito, culto, e o intelectual boêmio, cujo grande representante sempre foi o jornalista. Nos melhores momentos da história das ideias, essas duas figuras se cruzam”. Ele critica ainda a ideia de que a imprensa tradicional se constitui no único meio para o intelectual se aproximar da sociedade. “Não é”, dispara, questionando quem realmente lê jornais e revistas nesse país, quem está do outro lado. “Você está comunicando o quê? Para quem? Isso demanda uma outra busca de diálogo, e ele tem que passar forçosamente pela mídia? Intelectual não é guru, não ensina a verdade aos ignorantes, ao contrário, aprende com a realidade”. Ainda que o intelectual não seja o “dono da verdade”, há mentes pulsantes discutindo o Brasil e, por mais tímidas e descompassadas que às vezes possam aparentar, suas vozes são tudo, menos inexpressivas. F

O que é um intelectual
O Caso Dreyfus é emblemático para se buscar as raízes da expressão “intelectual”. Para Fábio, “a definição tradicional, nascida na França no início do século XX é do indivíduo que sai ocasionalmente da sua esfera de competências para se engajar no espaço público a favor de causas universais, ligadas ao direito do Homem”. Ilustraria essa definição o caso de Émile Zola em favor de Dreyfus, de Jean-Paul Sartre pela libertação da Argélia e de Michel Foucault sobre as condições de vida nas prisões francesas.
No entanto, além da definição clássica, Sílvia aponta outra ideia de intelectual que, sob uma perspectiva mais ampla, comportaria “todos aqueles que atuam no âmbito da produção de ideias; então, um professor pode ser um intelectual, um jornalista, um escritor, um artista”. Já Maria Helena considera que se alguém “produz um conhecimento novo, é um intelectual; se ele apenas o divulga, é um transmissor”. “O intelectual é um ator político que se vale de seus conhecimentos para pensar sobre as questões de seu tempo e sobre a sociedade em que vive”, ela define. Teoriza ainda, elucidando que “Ortega y Gasset e os intelectuais latino-americanos adotavam uma perspectiva ‘circunstancialista’ que permitia pensar o intelectual a partir de sua circunstância”. Mas Maria Helena pondera que “qualquer definição do intelectual é contestável, porque ela tem uma história que se modifica ao longo do tempo, como diz Jean-François Sirinelli. A própria história intelectual é um fenômeno recente, e que na França adquiriu reconhecimento entre historiadores a partir do momento em que teve início um debate sobre seu papel”. Apesar de serem históricas as definições dos intelectuais – sartreana (intelectual engajado), gramsciana (intelectual orgânico) ou intelectual descompromissado vivendo numa torre de marfim –, não se pode negar que essas posições continuem existindo nos dias de hoje”.
Para o ensaísta palestino-americano Edward Said, deve-se “insistir no fato de o intelectual ser um indivíduo com um papel público na sociedade, que não pode ser reduzido simplesmente a um profissional sem rosto”. Em Representações do Intelectual (Companhia das Letras, 2005), Said diz que o intelectual deve articular um ponto de vista, uma atitude e uma opinião para e por um público: “E esse papel encerra uma certa agudeza, pois não pode ser desempenhado sem a consciência de se ser alguém cuja função é levantar publicamente questões embaraçosas, confrontar ortodoxias e dogmas (mais do que produzi-los); isto é, alguém que não pode ser facilmente cooptado por governos ou corporações, e cuja raison d’être é representar todas as pessoas e todos os problemas que são sistematicamente esquecidos ou varridos para debaixo do tapete”.
Juliana Sayuri Ogassawara
http://www.revistaforum.com.br/sitefinal/EdicaoNoticiaIntegra.asp?id_artigo=6979

Saudosos La Fontaine e Monteiro Lobato!

As Raposas e o Sol
*Raymundo Araujo Filho

Quando eu era criança (bons tempos aqueles) me deliciava com as fábulas de La Fontaine, o maior fabulista de todos os tempos, a nós oferecidas e traduzidas pelo maior escritor infanto juvenil do mundo, Monteiro Lobato.
Duas das que eu mais gostava eram a Raposa e as Uvas e aquela em que o Corvo, de tanto ouvir elogios ao seu “belo canto” foi fazer um solo vocal e deixou cair o pedaço de queijo tão almejado por aquele que o elogiava tão insistente e mentirosamente.
Não me cansava, primeiro de ouvir e depois de ler em livros com belíssimas ilustrações, a fábula da raposa que, sem poder alcançar as uvas que muito lhe apeteciam, vivia a desdenhá-las dizendo-as ainda verdes, gerando o famoso ditado “quem desdenha quer comprar”.
Hoje, os tempos e as fábulas são outras e, infelizmente, não sou mais aquela criança criada no Leblon e no Méier com extrema liberdade de ação, em uma cidade ainda não deteriorada, suja, injusta e ameaçadora como é, hoje, o nosso Rio.
As fábulas de nossos modernos tempos e que não posso fugir de tomar conhecimento são outras. Não mais envolvem simples postulados morais e éticos como as de outrora. Envolvem sim, interesses (bi)milionários e questões que dizem respeito à própria segurança nacional e defesa de nossas riquezas e soberania.
Refiro-me ao episódio da recente demarcação de forma contínua das terras dos índios Yanomãnis, a reserva Raposa do Sol, lá no extremo norte brasileiro, na ainda fronteira entre o Brasil e a Venezuela, no Amapá.
De um lado, a etnia Yanomãni, depositários legítimos de nossa memória ancestral e credores incontestáveis de terras para a sobrevivência dos seus filhos e desenvolvimento de sua cultura nômade, que necessita de vasto território para afirmação cultural e bem estar de seus membros.
Do outro, a “civilização” que, sob a cumplicidade dos poderosos de nosso país, foram invadindo, corrompendo, irrompendo em território alheio, estabelecendo suas culturas agropecuárias e sociais predatórias, exterminando sem piedade um elo poderoso, porém desprotegido, que são os Yanomãni.
Muitos destes novos colonizadores do Eldorado Brasileiro, lá estão hoje em
posição de franca alienação frente ao mal que produziram e produzem a um povo que é patrimônio da humanidade e ao santuário ambiental, quais sejam os índios Yanomãnis e a Savana Brasileira. Agem como se fossem Inocentes Assassinos.
E, como a raposa da fábula, sempre desdenhando do local dizendo “ali só dá para plantar arroz e criar gado”. Sobre as riquezas minerais da região, nem um pio.
Ao contrário desta ignomínia de facínoras, o cenário é de intensas riquezas naturais. Dentro do arco de personagens envolvidos na questão temos aqueles diretamente interessados e aqueles cujos interesses são inconfessáveis, por estarem a serviço da exploração irracional da natureza e do homem pelo homem.
Índios, colonos, testas de ferro, paus mandados, paus de arara, poder político, poder econômico, governos e ongs. Tênues fronteiras entre a vida proba e a corrupção. Entre desenvolvimento sustentado e destruição. Entre interesses legítimos e ilegítimos. Entre os fortes e os fracos.
Assim, como produto de uma discussão desfocada e de pouca profundidade, como os falsos elogios aos acordes vocais do corvo da fábula, consolidaram-se como as únicas duas opções possíveis para o conflito, a calça de veludo ou a bunda de fora, ou melhor, a completa demarcação das terras indígenas de forma contínua com a Venezuela ou o retalhamento das áreas indígenas e a morte da etnia ancestral, em pouco tempo.
A primeira opção foi engendrada por um acordo bilateral supervisionado pelo Tio Sam, que reuniu dois ex-presidentes, um do Brasil e outro da Venezuela, os dois com direitos políticos suspensos atualmente e protagonistas de espetáculos de corrupção explícita. A segunda é defendida pelos que lá se estabeleceram como plantadores de arroz e criadores de gado. As duas opções apenas servem, entretanto, aos donos do poder econômico, de olho nas riquezas minerais e genéticas imensuráveis da região e que apostam na polarização destas duas propostas, como se nada melhor pudesse ser imaginado.
Ora, se as duas propostas servem ao mesmo grupo, é óbvio que deve haver uma outra proposição que preserve a etnia Yanomãni e, ao mesmo tempo, impeça uma possível futura constituição de uma nação indígena autônoma entre os dois países, nova proprietária e com os direitos de negociação de todas aquelas riquezas. E a ONU está aí mesmo para legalizar tal absurdo. E não há inocentes neste jogo. A não ser alguns bobos alegres urbanos que, há milhares de quilômetros de distância, fingem poder resolver tão complicado problema, sempre municiados com verbas e pela mídia comprometida com os piores interesses.
A terceira opção existe, porém propositadamente não foi discutida. Esta consiste, primeiramente, na realocação em outras áreas de todos aqueles que para lá foram conquistar um novo Eldorado, às custas da degradação ambiental e da etnia Yanomãni. Depois a demarcação da área entre os dois países como uma reserva indígena única, porém com uma faixa de 50 Km de largura em toda a fronteira para que fique a cargo da fiscalização do Exército Brasileiro, incumbido de apenas permitir a presença segura dos membros da etnia Yanomãni, com livre trânsito fronteiriço, desde que nada carreguem das riquezas minerais do subsolo e de matrizes genéticas animais ou vegetais, para lá ou para cá, de forma comercial unilateral com a sociedade brasileira. Esta atividade continuaria como prerrogativa soberana do Governo Brasileiro e com justa remuneração percentual para os Yanomãnis, como reparo histórico.
Mas, lamentavelmente, o Governo do Presidente Lula, com a sua tsunâmica falta de percepção do óbvio, optou pela demarcação contínua, sem salvaguardas, talvez para premiar a fartamente derrotada Ministra Marina Silva, que a defendia dentro de sua visão essencialmente de falsa ingênua e não racional, que lhe é peculiar.
E fica o Sen. Sibá Machado (PT-AC) a fazer discursos no Senado, dizendo que nada temos a temer, pois o subsolo da região pertence à nação brasileira, como reza a Constituição. Como se bandidos ou interesses internacionais poderosos respeitassem a Constituição de países, principalmente daqueles com dirigentes políticos frouxos e aliados a corruptos de longa data e execração pública. Vide a entrega do Petróleo brasileiro para estrangeiros, com o apoio do STF, ao arrepio da Lei.
Portanto, sem me alinhar com os predadores e representants de interesses internacionais, julgo que as duas medidas que mencionei acima, poderia apaziguar o confronto. A Demarcação com Faixa de Fronteira, e a Não Comercialização Unilateral das Riquezas Naturais.
Saudosos La Fontaine e Monteiro Lobato!

Saudosos La Fontaine e Monteiro Lobato!

As Raposas e o Sol
*Raymundo Araujo Filho

Quando eu era criança (bons tempos aqueles) me deliciava com as fábulas de La Fontaine, o maior fabulista de todos os tempos, a nós oferecidas e traduzidas pelo maior escritor infanto juvenil do mundo, Monteiro Lobato.
Duas das que eu mais gostava eram a Raposa e as Uvas e aquela em que o Corvo, de tanto ouvir elogios ao seu “belo canto” foi fazer um solo vocal e deixou cair o pedaço de queijo tão almejado por aquele que o elogiava tão insistente e mentirosamente.
Não me cansava, primeiro de ouvir e depois de ler em livros com belíssimas ilustrações, a fábula da raposa que, sem poder alcançar as uvas que muito lhe apeteciam, vivia a desdenhá-las dizendo-as ainda verdes, gerando o famoso ditado “quem desdenha quer comprar”.
Hoje, os tempos e as fábulas são outras e, infelizmente, não sou mais aquela criança criada no Leblon e no Méier com extrema liberdade de ação, em uma cidade ainda não deteriorada, suja, injusta e ameaçadora como é, hoje, o nosso Rio.
As fábulas de nossos modernos tempos e que não posso fugir de tomar conhecimento são outras. Não mais envolvem simples postulados morais e éticos como as de outrora. Envolvem sim, interesses (bi)milionários e questões que dizem respeito à própria segurança nacional e defesa de nossas riquezas e soberania.
Refiro-me ao episódio da recente demarcação de forma contínua das terras dos índios Yanomãnis, a reserva Raposa do Sol, lá no extremo norte brasileiro, na ainda fronteira entre o Brasil e a Venezuela, no Amapá.
De um lado, a etnia Yanomãni, depositários legítimos de nossa memória ancestral e credores incontestáveis de terras para a sobrevivência dos seus filhos e desenvolvimento de sua cultura nômade, que necessita de vasto território para afirmação cultural e bem estar de seus membros.
Do outro, a “civilização” que, sob a cumplicidade dos poderosos de nosso país, foram invadindo, corrompendo, irrompendo em território alheio, estabelecendo suas culturas agropecuárias e sociais predatórias, exterminando sem piedade um elo poderoso, porém desprotegido, que são os Yanomãni.
Muitos destes novos colonizadores do Eldorado Brasileiro, lá estão hoje em
posição de franca alienação frente ao mal que produziram e produzem a um povo que é patrimônio da humanidade e ao santuário ambiental, quais sejam os índios Yanomãnis e a Savana Brasileira. Agem como se fossem Inocentes Assassinos.
E, como a raposa da fábula, sempre desdenhando do local dizendo “ali só dá para plantar arroz e criar gado”. Sobre as riquezas minerais da região, nem um pio.
Ao contrário desta ignomínia de facínoras, o cenário é de intensas riquezas naturais. Dentro do arco de personagens envolvidos na questão temos aqueles diretamente interessados e aqueles cujos interesses são inconfessáveis, por estarem a serviço da exploração irracional da natureza e do homem pelo homem.
Índios, colonos, testas de ferro, paus mandados, paus de arara, poder político, poder econômico, governos e ongs. Tênues fronteiras entre a vida proba e a corrupção. Entre desenvolvimento sustentado e destruição. Entre interesses legítimos e ilegítimos. Entre os fortes e os fracos.
Assim, como produto de uma discussão desfocada e de pouca profundidade, como os falsos elogios aos acordes vocais do corvo da fábula, consolidaram-se como as únicas duas opções possíveis para o conflito, a calça de veludo ou a bunda de fora, ou melhor, a completa demarcação das terras indígenas de forma contínua com a Venezuela ou o retalhamento das áreas indígenas e a morte da etnia ancestral, em pouco tempo.
A primeira opção foi engendrada por um acordo bilateral supervisionado pelo Tio Sam, que reuniu dois ex-presidentes, um do Brasil e outro da Venezuela, os dois com direitos políticos suspensos atualmente e protagonistas de espetáculos de corrupção explícita. A segunda é defendida pelos que lá se estabeleceram como plantadores de arroz e criadores de gado. As duas opções apenas servem, entretanto, aos donos do poder econômico, de olho nas riquezas minerais e genéticas imensuráveis da região e que apostam na polarização destas duas propostas, como se nada melhor pudesse ser imaginado.
Ora, se as duas propostas servem ao mesmo grupo, é óbvio que deve haver uma outra proposição que preserve a etnia Yanomãni e, ao mesmo tempo, impeça uma possível futura constituição de uma nação indígena autônoma entre os dois países, nova proprietária e com os direitos de negociação de todas aquelas riquezas. E a ONU está aí mesmo para legalizar tal absurdo. E não há inocentes neste jogo. A não ser alguns bobos alegres urbanos que, há milhares de quilômetros de distância, fingem poder resolver tão complicado problema, sempre municiados com verbas e pela mídia comprometida com os piores interesses.
A terceira opção existe, porém propositadamente não foi discutida. Esta consiste, primeiramente, na realocação em outras áreas de todos aqueles que para lá foram conquistar um novo Eldorado, às custas da degradação ambiental e da etnia Yanomãni. Depois a demarcação da área entre os dois países como uma reserva indígena única, porém com uma faixa de 50 Km de largura em toda a fronteira para que fique a cargo da fiscalização do Exército Brasileiro, incumbido de apenas permitir a presença segura dos membros da etnia Yanomãni, com livre trânsito fronteiriço, desde que nada carreguem das riquezas minerais do subsolo e de matrizes genéticas animais ou vegetais, para lá ou para cá, de forma comercial unilateral com a sociedade brasileira. Esta atividade continuaria como prerrogativa soberana do Governo Brasileiro e com justa remuneração percentual para os Yanomãnis, como reparo histórico.
Mas, lamentavelmente, o Governo do Presidente Lula, com a sua tsunâmica falta de percepção do óbvio, optou pela demarcação contínua, sem salvaguardas, talvez para premiar a fartamente derrotada Ministra Marina Silva, que a defendia dentro de sua visão essencialmente de falsa ingênua e não racional, que lhe é peculiar.
E fica o Sen. Sibá Machado (PT-AC) a fazer discursos no Senado, dizendo que nada temos a temer, pois o subsolo da região pertence à nação brasileira, como reza a Constituição. Como se bandidos ou interesses internacionais poderosos respeitassem a Constituição de países, principalmente daqueles com dirigentes políticos frouxos e aliados a corruptos de longa data e execração pública. Vide a entrega do Petróleo brasileiro para estrangeiros, com o apoio do STF, ao arrepio da Lei.
Portanto, sem me alinhar com os predadores e representants de interesses internacionais, julgo que as duas medidas que mencionei acima, poderia apaziguar o confronto. A Demarcação com Faixa de Fronteira, e a Não Comercialização Unilateral das Riquezas Naturais.
Saudosos La Fontaine e Monteiro Lobato!