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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Tensão pré-eleitoral em Nova Iguaçu

Rio - Confirmando ou não sua candidatura ao governo do Rio, o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT), não comandará a cidade após abril. Acordo entre PT e PDT antes da campanha de reeleição do petista, em 2008, teria estabelecido que a vice-prefeita, Sheila Gama, administrará o município a partir do fim do prazo de descompatibilização para as eleições do ano que vem. Com isso, caso Lindberg não consiga apoio de seu partido para disputar o Palácio Guanabara, seu rumo deverá ser o Senado.

Foto: Agência O DIA
Foto: Agência O DIA
Líderes políticos de Nova Iguaçu confirmam o acordo. Lindberg diz que isso não existe. Ele afirma apenas que está ‘preparando’ Sheila e assessores para assumirem o município. “Não existe acordo ou pacto. Temos entendimento e proximidade. Sheila vai me substituir e terá meu apoio para administrar bem a cidade”, afirmou .

“Sei o que todo mundo sabe: Lindberg fez acordo com Sheila no qual ele sairia para disputar eleição para o governo ou o Senado”, afirma o presidente da Câmara de Vereadores de Nova Iguaçu, Marcos Fernandes (DEM).

“Alguém largaria o mandato de deputado sem ter a garantia que assumiria o cargo de prefeito depois?”, questiona o vereador e secretário de Finanças de Nova Iguaçu, Carlos Ferreira, o Ferreirinha (PT), referindo-se ao fato de Sheila Gama ter renunciado ao seu mandato na Alerj para ser vice de Lindberg.

O petista tem longa jornada. Seu principal problema é articulação promovida pelo governador Sérgio Cabral e seus aliados. Eles tentam diretamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva o enquadramento de Lindberg, para o PT do Rio se aliar ao PMDB pela reeleição de Cabral já no primeiro turno. O principal argumento é a aliança nacional dos dois partidos em favor da candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à presidência. Lindberg depende também da composição do PT e do PMDB nas disputas pelo governo em outros estados, como a Bahia.


Enquanto o quadro não se define, Lindberg segue articulando. Sua afinação com o PDT é tão grande que líderes pedetistas já sinalizam com convites para ele entrar no partido. O problema é o prazo exíguo. Pela lei eleitoral, o prefeito de Nova Iguaçu teria que mudar de partido até 3 de outubro — um ano antes da eleição.


Outro impedimento é a pré-candidatura do deputado e apresentador de TV Wagner Montes, principal puxador de votos do PDT do Rio. Apesar de o parlamentar não gostar muito da ideia, pois prefere seguir na Alerj, o comando nacional do PDT não quer dispor agora deste capital político — Montes é um dos líderes de pesquisas ao governo.

“A campanha custa uns R$ 30 milhões. Se o partido bancar com recursos próprios e sem contribuições de empresas que nos deixem de rabo preso, concorro”, sinalizou Montes.

Principal articulador político do PDT na Baixada e vice-prefeito de São João de Meriti, Carlos Correia afirma que o partido deve seguir com Lindberg caso Montes não concorra. “Seu perfil é de defender os fracos e oprimidos, dentro da nossa linha. Ele é um brizolista”, afirma.


Procurados por O DIA em seus gabinetes e na residência, Sheila Gama e o marido, o conselheiro do TCE Aluisio Gama, não foram localizados.

Juiz poderá virar prefeito

Caso Sheila Gama assuma a Prefeitura de Nova Iguaçu e, durante o início do mandato, precise se ausentar do cargo, quem assumirá será o juiz diretor do Fórum de Nova Iguaçu. A situação inusitada está prevista na Lei Orgânica do município. Primeiro na nova linha sucessória, o presidente da Câmara, vereador Marcos Fernandes (DEM), estará impedido de exercer o cargo porque concorrerá a uma vaga na Assembleia Legislativa.

Os acordos entre PT e PDT de divisão de mandatos não costumam dar certo. Em 1998, uma aliança elegeu Saturnino Braga (PT) senador pelo Rio, com o atual ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT), como primeiro suplente. Braga ficaria nos primeiros quatro anos do mandato, Lupi nos últimos. O petista acabou não cumprindo o combinado, e o pedetista chegou procurar a Justiça para fazer valer o seu ‘direito’. Mas perdeu.

Indefinição de crime gera medo nos bastidores da política

Considerado braço-direito da vice-prefeita Sheila Gama (PDT), o empresário Luiz Carlos Duarte Baptista, o Carlinhos da Tinguá, 67 anos, foi assassinado na manhã do dia 19 de março, na Via Light, em Nova Iguaçu. As circunstâncias do crime estão longe de um esclarecimento, conforme inquérito policial da 52ª DP (Nova Iguaçu).

Amiga de Carlinhos, Sheila Gama disse, à época do crime, que não tinha dúvidas que os autores dos disparos — dois homens numa moto — foram os mesmos que, em 6 de fevereiro, invadiram armados a sede do PDT, em Nova Iguaçu. Como não encontravam o que procuravam, foram embora. Neste dia, Carlinhos e Sheila chegaram atrasados à reunião.

O clima de medo ronda os bastidores da política no município e ninguém fala sobre os motivos que teriam levado à morte do empresário, um dos mais bem sucedidos na região. Ele chegou a ser presidente da escola de samba Beija-Flor em 1993.

O secretário de Economia e Finanças de Nova Iguaçu, Carlos Ferreira, o Ferreirinha (PT), afirma que a falta de solução do crime gera instabilidade. Em sua opinião, Sheila fará um governo de coalização com o PT, mas disse não ter dúvidas de que o marido dela, o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Aluísio Gama, terá papel importante no governo, sobretudo por já ter sido prefeito de Nova Iguaçu de 1989 a 1993.

Reportagem de Alfredo Junqueira e Marcos Galvão

Tensão pré-eleitoral em Nova Iguaçu

Rio - Confirmando ou não sua candidatura ao governo do Rio, o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT), não comandará a cidade após abril. Acordo entre PT e PDT antes da campanha de reeleição do petista, em 2008, teria estabelecido que a vice-prefeita, Sheila Gama, administrará o município a partir do fim do prazo de descompatibilização para as eleições do ano que vem. Com isso, caso Lindberg não consiga apoio de seu partido para disputar o Palácio Guanabara, seu rumo deverá ser o Senado.

Foto: Agência O DIA
Foto: Agência O DIA
Líderes políticos de Nova Iguaçu confirmam o acordo. Lindberg diz que isso não existe. Ele afirma apenas que está ‘preparando’ Sheila e assessores para assumirem o município. “Não existe acordo ou pacto. Temos entendimento e proximidade. Sheila vai me substituir e terá meu apoio para administrar bem a cidade”, afirmou .

“Sei o que todo mundo sabe: Lindberg fez acordo com Sheila no qual ele sairia para disputar eleição para o governo ou o Senado”, afirma o presidente da Câmara de Vereadores de Nova Iguaçu, Marcos Fernandes (DEM).

“Alguém largaria o mandato de deputado sem ter a garantia que assumiria o cargo de prefeito depois?”, questiona o vereador e secretário de Finanças de Nova Iguaçu, Carlos Ferreira, o Ferreirinha (PT), referindo-se ao fato de Sheila Gama ter renunciado ao seu mandato na Alerj para ser vice de Lindberg.

O petista tem longa jornada. Seu principal problema é articulação promovida pelo governador Sérgio Cabral e seus aliados. Eles tentam diretamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva o enquadramento de Lindberg, para o PT do Rio se aliar ao PMDB pela reeleição de Cabral já no primeiro turno. O principal argumento é a aliança nacional dos dois partidos em favor da candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à presidência. Lindberg depende também da composição do PT e do PMDB nas disputas pelo governo em outros estados, como a Bahia.


Enquanto o quadro não se define, Lindberg segue articulando. Sua afinação com o PDT é tão grande que líderes pedetistas já sinalizam com convites para ele entrar no partido. O problema é o prazo exíguo. Pela lei eleitoral, o prefeito de Nova Iguaçu teria que mudar de partido até 3 de outubro — um ano antes da eleição.


Outro impedimento é a pré-candidatura do deputado e apresentador de TV Wagner Montes, principal puxador de votos do PDT do Rio. Apesar de o parlamentar não gostar muito da ideia, pois prefere seguir na Alerj, o comando nacional do PDT não quer dispor agora deste capital político — Montes é um dos líderes de pesquisas ao governo.

“A campanha custa uns R$ 30 milhões. Se o partido bancar com recursos próprios e sem contribuições de empresas que nos deixem de rabo preso, concorro”, sinalizou Montes.

Principal articulador político do PDT na Baixada e vice-prefeito de São João de Meriti, Carlos Correia afirma que o partido deve seguir com Lindberg caso Montes não concorra. “Seu perfil é de defender os fracos e oprimidos, dentro da nossa linha. Ele é um brizolista”, afirma.


Procurados por O DIA em seus gabinetes e na residência, Sheila Gama e o marido, o conselheiro do TCE Aluisio Gama, não foram localizados.

Juiz poderá virar prefeito

Caso Sheila Gama assuma a Prefeitura de Nova Iguaçu e, durante o início do mandato, precise se ausentar do cargo, quem assumirá será o juiz diretor do Fórum de Nova Iguaçu. A situação inusitada está prevista na Lei Orgânica do município. Primeiro na nova linha sucessória, o presidente da Câmara, vereador Marcos Fernandes (DEM), estará impedido de exercer o cargo porque concorrerá a uma vaga na Assembleia Legislativa.

Os acordos entre PT e PDT de divisão de mandatos não costumam dar certo. Em 1998, uma aliança elegeu Saturnino Braga (PT) senador pelo Rio, com o atual ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT), como primeiro suplente. Braga ficaria nos primeiros quatro anos do mandato, Lupi nos últimos. O petista acabou não cumprindo o combinado, e o pedetista chegou procurar a Justiça para fazer valer o seu ‘direito’. Mas perdeu.

Indefinição de crime gera medo nos bastidores da política

Considerado braço-direito da vice-prefeita Sheila Gama (PDT), o empresário Luiz Carlos Duarte Baptista, o Carlinhos da Tinguá, 67 anos, foi assassinado na manhã do dia 19 de março, na Via Light, em Nova Iguaçu. As circunstâncias do crime estão longe de um esclarecimento, conforme inquérito policial da 52ª DP (Nova Iguaçu).

Amiga de Carlinhos, Sheila Gama disse, à época do crime, que não tinha dúvidas que os autores dos disparos — dois homens numa moto — foram os mesmos que, em 6 de fevereiro, invadiram armados a sede do PDT, em Nova Iguaçu. Como não encontravam o que procuravam, foram embora. Neste dia, Carlinhos e Sheila chegaram atrasados à reunião.

O clima de medo ronda os bastidores da política no município e ninguém fala sobre os motivos que teriam levado à morte do empresário, um dos mais bem sucedidos na região. Ele chegou a ser presidente da escola de samba Beija-Flor em 1993.

O secretário de Economia e Finanças de Nova Iguaçu, Carlos Ferreira, o Ferreirinha (PT), afirma que a falta de solução do crime gera instabilidade. Em sua opinião, Sheila fará um governo de coalização com o PT, mas disse não ter dúvidas de que o marido dela, o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Aluísio Gama, terá papel importante no governo, sobretudo por já ter sido prefeito de Nova Iguaçu de 1989 a 1993.

Reportagem de Alfredo Junqueira e Marcos Galvão

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Lindberg Farias: Por que três palanque-Prefeito de Nova Iguaçu-RJ


Rio - O Rio de Janeiro será palco decisivo nas eleições de 2010. Aqui, havia os que defendiam um único palanque para Dilma Rousseff. Seria bom para Sérgio Cabral. Mas seria bom para Dilma? Não.

Teríamos Fernando Gabeira apoiando José Serra com força na capital e Anthony Garotinho Garotinho, no interior e na região metropolitana, como segundo palanque tucano. E Dilma, imprensada no palanque único de Cabral.

A tese do palanque único começou a ser desmontada com a filiação de Garotinho ao PR. Dilma ganhou o apoio de Garotinho e tirou o palanque de Serra

A minha pré-candidatura pelo PT é outro importante reforço para Dilma. Além de mobilizar a militância de esquerda — não vai ser a máquina do PMDB em seus escritórios que agitará as ruas por Dilma —, a nossa candidatura ajudará na disputa com Gabeira pelos votos entre jovens e eleitores que têm na esquerda uma referência.

E isso não atrapalha a aliança com o PMDB? Não é só no Rio de Janeiro que vão existir vários palanques. Na Bahia, o governador é do PT e o PMDB lançou Geddel Vireira Lima. Na relação Cabral-Lula, é o governador quem deve ao presidente, não o contrário. Pedir ao PT para não ter candidato é inaceitável. Significa diminuir nossa bancada de deputados e deixar o governo de Dilma refém do velho PMDB.

Quem entende de eleição, sabe que ter entre 9 e 10% (última pesquisa do IBPS) a essa altura é fantástico. É uma candidatura que tem tudo para crescer com um discurso popular e de esquerda, como fazia Brizola, no Rio, e faz, hoje, Lula nacionalmente e transformar-se na grande onda das eleições ao governo do Rio em 2010.

Lindberg Farias: Por que três palanque-Prefeito de Nova Iguaçu-RJ


Rio - O Rio de Janeiro será palco decisivo nas eleições de 2010. Aqui, havia os que defendiam um único palanque para Dilma Rousseff. Seria bom para Sérgio Cabral. Mas seria bom para Dilma? Não.

Teríamos Fernando Gabeira apoiando José Serra com força na capital e Anthony Garotinho Garotinho, no interior e na região metropolitana, como segundo palanque tucano. E Dilma, imprensada no palanque único de Cabral.

A tese do palanque único começou a ser desmontada com a filiação de Garotinho ao PR. Dilma ganhou o apoio de Garotinho e tirou o palanque de Serra

A minha pré-candidatura pelo PT é outro importante reforço para Dilma. Além de mobilizar a militância de esquerda — não vai ser a máquina do PMDB em seus escritórios que agitará as ruas por Dilma —, a nossa candidatura ajudará na disputa com Gabeira pelos votos entre jovens e eleitores que têm na esquerda uma referência.

E isso não atrapalha a aliança com o PMDB? Não é só no Rio de Janeiro que vão existir vários palanques. Na Bahia, o governador é do PT e o PMDB lançou Geddel Vireira Lima. Na relação Cabral-Lula, é o governador quem deve ao presidente, não o contrário. Pedir ao PT para não ter candidato é inaceitável. Significa diminuir nossa bancada de deputados e deixar o governo de Dilma refém do velho PMDB.

Quem entende de eleição, sabe que ter entre 9 e 10% (última pesquisa do IBPS) a essa altura é fantástico. É uma candidatura que tem tudo para crescer com um discurso popular e de esquerda, como fazia Brizola, no Rio, e faz, hoje, Lula nacionalmente e transformar-se na grande onda das eleições ao governo do Rio em 2010.