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sábado, 18 de julho de 2009

Crivella entrega 3 casas no Morro da Providência

O estigma de morar em uma lugar feio que acompanha muitos dos moradorores das comunidades carentes do Rio, pode ser quebrado com um projeto que teve início nesta sexta-feira com a entrega de três casas à três mães que perderam os filhos barbaramente, no caso do Morro da Providência, Centro do Rio, ano passado.

O “Cimento Social” de autoria do Senador Marcelo Crivella tem o objetivo de contruir ou mesmo reformar completamente as casas da comunidade.

– O projeto prevê três casos: o que as casas que podem ser reformadas, as que tiveram de ser derrubadas e essas que estão sendo entregues que foram erguidas do chão – explicou o senador.

As primeiras casas foram entregues nesta sexta e foram erguidas em apenas 3 dias. De acordo com o senador, os trabalhadores que ergueram as construções tem idade entre 16 e 30 anos. Os homens foram divididos em três equipes que disputaram para ver qual dos grupos terminava primeiro.

O responsável pelo empreendimento, Wander Dantas, diz que todos os 102 funcionários empregados no “Cimento Social” são da comunidade da Providência.

­ – É muito gratificante para mim, quando cheguei aqui no morro, vi muitos homens desempregados, ex-presidiários e ligados ao tráfico de drogas. O projeto mudou a vida deles. Na próxima entrega do “Cimento Social” nós prometemos erguer as casas em apenas 2 dias – garantiu Dantas.

O conjunto com as três casas foi batizado pelo senador de “Vila José de Alencar e Dona Marisa” em homenagem ao vice-presidente da república, José de Alencar e a primeira-dama, Marisa Letícia.

As residências são funcionais, de segundo andar e três cômodos. De acordo com o coordenador do projeto, até oito pessoas podem morar em uma casa do “Cimento Social”. O senador Marcelo Crivella defende que tudo o que um projeto como o do Morro da Providência necessita, está no Brasil.

- Não precisa trazer chinês, japonês e nem americano é só dar oportunidade para a rapaziada, como dizia aquela música “eu acredito é na rapaziada…” Tudo o que nós precisamos, o Brasil tem. A paz é fruto da justiça e o povo do Morro da Providência merece justiça.

Nova chance

Um dos operários Alexandro de Medeiros, de 23 anos, estava exultante com o resultado conseguido pelas equipes do “Cimento Social”. Alexandro contou que além de ex-presidiário, também foi soldado do tráfico na própria comunidade.

- Eu estava desempregado porque fui preso, acertei minhas contas com a justiça, mas antes daqui, já estava novamente na boca de fumo. Foi quando me chamaram para trabalhar.

Embora não compense a dor da perda de um filho, as casas entregues tiveram um destino especial: as beneficiadas foram as mães dos três rapazes mortos ano passado ao serem sequestrados e levados por militares do exército a traficantes de uma facção rival do morro da Mineira, no Catumbi.

Os rapazes Deivão Wilson, Marcos Paulo da Silva,e Wellington Gonzaga Costa foram sequestrados pelos militares quando voltavam de uma baile funk no morro da Mangueira.

Ainda segundo Marcelo Crivella, o projeto deve se estender por todo o Morro da Providência.

Fonte: JB Online

Crivella entrega 3 casas no Morro da Providência

O estigma de morar em uma lugar feio que acompanha muitos dos moradorores das comunidades carentes do Rio, pode ser quebrado com um projeto que teve início nesta sexta-feira com a entrega de três casas à três mães que perderam os filhos barbaramente, no caso do Morro da Providência, Centro do Rio, ano passado.

O “Cimento Social” de autoria do Senador Marcelo Crivella tem o objetivo de contruir ou mesmo reformar completamente as casas da comunidade.

– O projeto prevê três casos: o que as casas que podem ser reformadas, as que tiveram de ser derrubadas e essas que estão sendo entregues que foram erguidas do chão – explicou o senador.

As primeiras casas foram entregues nesta sexta e foram erguidas em apenas 3 dias. De acordo com o senador, os trabalhadores que ergueram as construções tem idade entre 16 e 30 anos. Os homens foram divididos em três equipes que disputaram para ver qual dos grupos terminava primeiro.

O responsável pelo empreendimento, Wander Dantas, diz que todos os 102 funcionários empregados no “Cimento Social” são da comunidade da Providência.

­ – É muito gratificante para mim, quando cheguei aqui no morro, vi muitos homens desempregados, ex-presidiários e ligados ao tráfico de drogas. O projeto mudou a vida deles. Na próxima entrega do “Cimento Social” nós prometemos erguer as casas em apenas 2 dias – garantiu Dantas.

O conjunto com as três casas foi batizado pelo senador de “Vila José de Alencar e Dona Marisa” em homenagem ao vice-presidente da república, José de Alencar e a primeira-dama, Marisa Letícia.

As residências são funcionais, de segundo andar e três cômodos. De acordo com o coordenador do projeto, até oito pessoas podem morar em uma casa do “Cimento Social”. O senador Marcelo Crivella defende que tudo o que um projeto como o do Morro da Providência necessita, está no Brasil.

- Não precisa trazer chinês, japonês e nem americano é só dar oportunidade para a rapaziada, como dizia aquela música “eu acredito é na rapaziada…” Tudo o que nós precisamos, o Brasil tem. A paz é fruto da justiça e o povo do Morro da Providência merece justiça.

Nova chance

Um dos operários Alexandro de Medeiros, de 23 anos, estava exultante com o resultado conseguido pelas equipes do “Cimento Social”. Alexandro contou que além de ex-presidiário, também foi soldado do tráfico na própria comunidade.

- Eu estava desempregado porque fui preso, acertei minhas contas com a justiça, mas antes daqui, já estava novamente na boca de fumo. Foi quando me chamaram para trabalhar.

Embora não compense a dor da perda de um filho, as casas entregues tiveram um destino especial: as beneficiadas foram as mães dos três rapazes mortos ano passado ao serem sequestrados e levados por militares do exército a traficantes de uma facção rival do morro da Mineira, no Catumbi.

Os rapazes Deivão Wilson, Marcos Paulo da Silva,e Wellington Gonzaga Costa foram sequestrados pelos militares quando voltavam de uma baile funk no morro da Mangueira.

Ainda segundo Marcelo Crivella, o projeto deve se estender por todo o Morro da Providência.

Fonte: JB Online

sábado, 30 de maio de 2009

Morro da Providência


Marcelo Crivella


O Morro da Providência é a primeira favela do Brasil. Ela começou em dois momentos distintos. Em novembro de 1864, Solano Lopes, Presidente do Paraguai, prende o navio brasileiro e, em seguida, invade o Mato Grosso do Sul até Dourados, e o Estado do Rio Grande do Sul.
O Brasil se une ao Uruguai e à Argentina para enfrentar o Paraguai, que, na ocasião, contava com um exército de 80 mil homens, fábricas de pólvora e armas, e tinha um índice de desenvolvimento relativo superior ao do Brasil. Para enfrentá-lo, Dom Pedro II lança o programa chamado Voluntários da Pátria, que oferecia alforria aos negros escravos que se dispusessem ir à guerra.
Milhares foram, muitos morreram, muitos voltaram. Ao desembarcarem no Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, encontram a seguinte situação: alforria, mas sem trabalho e moradia. É bem verdade que Duque de Caxias defendia a tese de que qualquer um, fosse índio, fosse negro, branco pobre ou mestiço, que vestisse a farda, se tornasse cidadão.
Mas, para o PRP - Partido Republicano Paulista, de 1870, não havia interesse, na ocasião, de lutar contra a escravidão, já que ela se constituía num vetor de desgaste para o império.
Esses soldados heróis, em parte vão ocupar as partes planas ao sopé do Morro da Providência. Vinte e sete anos mais tarde, com o fim da cruel Guerra dos Canudos, os soldados retornados vão ocupar as partes altas do Morro da Providência.
Há, também, segundo outras fontes, os desalojados do cortiço Cabeça de Porco, que também ocupam o Morro da Providência por volta do fim do Século XIX.
O importante a assinalar é que já se passaram 137 anos e, ao invés de termos urbanizado o Morro da Providência, por um processo de desenvolvimento extremamente injusto, criamos outras centenas de comunidades carentes no Rio de Janeiro.
As pessoas continuam indo à guerra da sobrevivência, não como soldados, mas como pedreiros, mecânicos, carpinteiros, empregados domésticos, sucessivas gerações de negros, brancos pobres e mestiços que lutam muito, mas o salário que recebem é só o suficiente para viver e a moradia continua sendo casas improvisadas nos morros da cidade.
Foi por isso que elaborei o Projeto Cimento Social, cujo objetivo é ajudar as famílias a terminarem suas casas nas comunidades carentes. O Presidente Lula, atento a esta questão, destinou 12,6 milhões de reais para a obra, e, na primeira fase, 782 casas receberão argamassa, pintura, portas e janelas, reforço estrutural e telhado para evitar a proliferação do mosquito da dengue nas comunidades carentes. O Exército será encarregado de realizar a obra por razões históricas. Será uma clarinada de fé e de esperança, uma alvorada redentora para centenas de famílias carentes, que, finalmente, poderão concluir suas casas.
E o sangue de brancos e negros derramado coloriu o verde das águas dos rios pela glória do Brasil da Guerra do Paraguai. Hoje, com o Cimento Social, se presta a eles a mais solene, justa e merecida recompensa.

Publicado no Jonal Povo do Rio, em 18 de dezembro de 2007.

Morro da Providência


Marcelo Crivella


O Morro da Providência é a primeira favela do Brasil. Ela começou em dois momentos distintos. Em novembro de 1864, Solano Lopes, Presidente do Paraguai, prende o navio brasileiro e, em seguida, invade o Mato Grosso do Sul até Dourados, e o Estado do Rio Grande do Sul.
O Brasil se une ao Uruguai e à Argentina para enfrentar o Paraguai, que, na ocasião, contava com um exército de 80 mil homens, fábricas de pólvora e armas, e tinha um índice de desenvolvimento relativo superior ao do Brasil. Para enfrentá-lo, Dom Pedro II lança o programa chamado Voluntários da Pátria, que oferecia alforria aos negros escravos que se dispusessem ir à guerra.
Milhares foram, muitos morreram, muitos voltaram. Ao desembarcarem no Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, encontram a seguinte situação: alforria, mas sem trabalho e moradia. É bem verdade que Duque de Caxias defendia a tese de que qualquer um, fosse índio, fosse negro, branco pobre ou mestiço, que vestisse a farda, se tornasse cidadão.
Mas, para o PRP - Partido Republicano Paulista, de 1870, não havia interesse, na ocasião, de lutar contra a escravidão, já que ela se constituía num vetor de desgaste para o império.
Esses soldados heróis, em parte vão ocupar as partes planas ao sopé do Morro da Providência. Vinte e sete anos mais tarde, com o fim da cruel Guerra dos Canudos, os soldados retornados vão ocupar as partes altas do Morro da Providência.
Há, também, segundo outras fontes, os desalojados do cortiço Cabeça de Porco, que também ocupam o Morro da Providência por volta do fim do Século XIX.
O importante a assinalar é que já se passaram 137 anos e, ao invés de termos urbanizado o Morro da Providência, por um processo de desenvolvimento extremamente injusto, criamos outras centenas de comunidades carentes no Rio de Janeiro.
As pessoas continuam indo à guerra da sobrevivência, não como soldados, mas como pedreiros, mecânicos, carpinteiros, empregados domésticos, sucessivas gerações de negros, brancos pobres e mestiços que lutam muito, mas o salário que recebem é só o suficiente para viver e a moradia continua sendo casas improvisadas nos morros da cidade.
Foi por isso que elaborei o Projeto Cimento Social, cujo objetivo é ajudar as famílias a terminarem suas casas nas comunidades carentes. O Presidente Lula, atento a esta questão, destinou 12,6 milhões de reais para a obra, e, na primeira fase, 782 casas receberão argamassa, pintura, portas e janelas, reforço estrutural e telhado para evitar a proliferação do mosquito da dengue nas comunidades carentes. O Exército será encarregado de realizar a obra por razões históricas. Será uma clarinada de fé e de esperança, uma alvorada redentora para centenas de famílias carentes, que, finalmente, poderão concluir suas casas.
E o sangue de brancos e negros derramado coloriu o verde das águas dos rios pela glória do Brasil da Guerra do Paraguai. Hoje, com o Cimento Social, se presta a eles a mais solene, justa e merecida recompensa.

Publicado no Jonal Povo do Rio, em 18 de dezembro de 2007.