O estigma de morar em uma lugar feio que acompanha muitos dos moradorores das comunidades carentes do Rio, pode ser quebrado com um projeto que teve início nesta sexta-feira com a entrega de três casas à três mães que perderam os filhos barbaramente, no caso do Morro da Providência, Centro do Rio, ano passado.
O “Cimento Social” de autoria do Senador Marcelo Crivella tem o objetivo de contruir ou mesmo reformar completamente as casas da comunidade.
– O projeto prevê três casos: o que as casas que podem ser reformadas, as que tiveram de ser derrubadas e essas que estão sendo entregues que foram erguidas do chão – explicou o senador.
As primeiras casas foram entregues nesta sexta e foram erguidas em apenas 3 dias. De acordo com o senador, os trabalhadores que ergueram as construções tem idade entre 16 e 30 anos. Os homens foram divididos em três equipes que disputaram para ver qual dos grupos terminava primeiro.
O responsável pelo empreendimento, Wander Dantas, diz que todos os 102 funcionários empregados no “Cimento Social” são da comunidade da Providência.
– É muito gratificante para mim, quando cheguei aqui no morro, vi muitos homens desempregados, ex-presidiários e ligados ao tráfico de drogas. O projeto mudou a vida deles. Na próxima entrega do “Cimento Social” nós prometemos erguer as casas em apenas 2 dias – garantiu Dantas.
O conjunto com as três casas foi batizado pelo senador de “Vila José de Alencar e Dona Marisa” em homenagem ao vice-presidente da república, José de Alencar e a primeira-dama, Marisa Letícia.
As residências são funcionais, de segundo andar e três cômodos. De acordo com o coordenador do projeto, até oito pessoas podem morar em uma casa do “Cimento Social”. O senador Marcelo Crivella defende que tudo o que um projeto como o do Morro da Providência necessita, está no Brasil.
- Não precisa trazer chinês, japonês e nem americano é só dar oportunidade para a rapaziada, como dizia aquela música “eu acredito é na rapaziada…” Tudo o que nós precisamos, o Brasil tem. A paz é fruto da justiça e o povo do Morro da Providência merece justiça.
Nova chance
Um dos operários Alexandro de Medeiros, de 23 anos, estava exultante com o resultado conseguido pelas equipes do “Cimento Social”. Alexandro contou que além de ex-presidiário, também foi soldado do tráfico na própria comunidade.
- Eu estava desempregado porque fui preso, acertei minhas contas com a justiça, mas antes daqui, já estava novamente na boca de fumo. Foi quando me chamaram para trabalhar.
Embora não compense a dor da perda de um filho, as casas entregues tiveram um destino especial: as beneficiadas foram as mães dos três rapazes mortos ano passado ao serem sequestrados e levados por militares do exército a traficantes de uma facção rival do morro da Mineira, no Catumbi.
Os rapazes Deivão Wilson, Marcos Paulo da Silva,e Wellington Gonzaga Costa foram sequestrados pelos militares quando voltavam de uma baile funk no morro da Mangueira.
Ainda segundo Marcelo Crivella, o projeto deve se estender por todo o Morro da Providência.
Fonte: JB Online
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sábado, 18 de julho de 2009
Crivella entrega 3 casas no Morro da Providência
O estigma de morar em uma lugar feio que acompanha muitos dos moradorores das comunidades carentes do Rio, pode ser quebrado com um projeto que teve início nesta sexta-feira com a entrega de três casas à três mães que perderam os filhos barbaramente, no caso do Morro da Providência, Centro do Rio, ano passado.
O “Cimento Social” de autoria do Senador Marcelo Crivella tem o objetivo de contruir ou mesmo reformar completamente as casas da comunidade.
– O projeto prevê três casos: o que as casas que podem ser reformadas, as que tiveram de ser derrubadas e essas que estão sendo entregues que foram erguidas do chão – explicou o senador.
As primeiras casas foram entregues nesta sexta e foram erguidas em apenas 3 dias. De acordo com o senador, os trabalhadores que ergueram as construções tem idade entre 16 e 30 anos. Os homens foram divididos em três equipes que disputaram para ver qual dos grupos terminava primeiro.
O responsável pelo empreendimento, Wander Dantas, diz que todos os 102 funcionários empregados no “Cimento Social” são da comunidade da Providência.
– É muito gratificante para mim, quando cheguei aqui no morro, vi muitos homens desempregados, ex-presidiários e ligados ao tráfico de drogas. O projeto mudou a vida deles. Na próxima entrega do “Cimento Social” nós prometemos erguer as casas em apenas 2 dias – garantiu Dantas.
O conjunto com as três casas foi batizado pelo senador de “Vila José de Alencar e Dona Marisa” em homenagem ao vice-presidente da república, José de Alencar e a primeira-dama, Marisa Letícia.
As residências são funcionais, de segundo andar e três cômodos. De acordo com o coordenador do projeto, até oito pessoas podem morar em uma casa do “Cimento Social”. O senador Marcelo Crivella defende que tudo o que um projeto como o do Morro da Providência necessita, está no Brasil.
- Não precisa trazer chinês, japonês e nem americano é só dar oportunidade para a rapaziada, como dizia aquela música “eu acredito é na rapaziada…” Tudo o que nós precisamos, o Brasil tem. A paz é fruto da justiça e o povo do Morro da Providência merece justiça.
Nova chance
Um dos operários Alexandro de Medeiros, de 23 anos, estava exultante com o resultado conseguido pelas equipes do “Cimento Social”. Alexandro contou que além de ex-presidiário, também foi soldado do tráfico na própria comunidade.
- Eu estava desempregado porque fui preso, acertei minhas contas com a justiça, mas antes daqui, já estava novamente na boca de fumo. Foi quando me chamaram para trabalhar.
Embora não compense a dor da perda de um filho, as casas entregues tiveram um destino especial: as beneficiadas foram as mães dos três rapazes mortos ano passado ao serem sequestrados e levados por militares do exército a traficantes de uma facção rival do morro da Mineira, no Catumbi.
Os rapazes Deivão Wilson, Marcos Paulo da Silva,e Wellington Gonzaga Costa foram sequestrados pelos militares quando voltavam de uma baile funk no morro da Mangueira.
Ainda segundo Marcelo Crivella, o projeto deve se estender por todo o Morro da Providência.
Fonte: JB Online
O “Cimento Social” de autoria do Senador Marcelo Crivella tem o objetivo de contruir ou mesmo reformar completamente as casas da comunidade.
– O projeto prevê três casos: o que as casas que podem ser reformadas, as que tiveram de ser derrubadas e essas que estão sendo entregues que foram erguidas do chão – explicou o senador.
As primeiras casas foram entregues nesta sexta e foram erguidas em apenas 3 dias. De acordo com o senador, os trabalhadores que ergueram as construções tem idade entre 16 e 30 anos. Os homens foram divididos em três equipes que disputaram para ver qual dos grupos terminava primeiro.
O responsável pelo empreendimento, Wander Dantas, diz que todos os 102 funcionários empregados no “Cimento Social” são da comunidade da Providência.
– É muito gratificante para mim, quando cheguei aqui no morro, vi muitos homens desempregados, ex-presidiários e ligados ao tráfico de drogas. O projeto mudou a vida deles. Na próxima entrega do “Cimento Social” nós prometemos erguer as casas em apenas 2 dias – garantiu Dantas.
O conjunto com as três casas foi batizado pelo senador de “Vila José de Alencar e Dona Marisa” em homenagem ao vice-presidente da república, José de Alencar e a primeira-dama, Marisa Letícia.
As residências são funcionais, de segundo andar e três cômodos. De acordo com o coordenador do projeto, até oito pessoas podem morar em uma casa do “Cimento Social”. O senador Marcelo Crivella defende que tudo o que um projeto como o do Morro da Providência necessita, está no Brasil.
- Não precisa trazer chinês, japonês e nem americano é só dar oportunidade para a rapaziada, como dizia aquela música “eu acredito é na rapaziada…” Tudo o que nós precisamos, o Brasil tem. A paz é fruto da justiça e o povo do Morro da Providência merece justiça.
Nova chance
Um dos operários Alexandro de Medeiros, de 23 anos, estava exultante com o resultado conseguido pelas equipes do “Cimento Social”. Alexandro contou que além de ex-presidiário, também foi soldado do tráfico na própria comunidade.
- Eu estava desempregado porque fui preso, acertei minhas contas com a justiça, mas antes daqui, já estava novamente na boca de fumo. Foi quando me chamaram para trabalhar.
Embora não compense a dor da perda de um filho, as casas entregues tiveram um destino especial: as beneficiadas foram as mães dos três rapazes mortos ano passado ao serem sequestrados e levados por militares do exército a traficantes de uma facção rival do morro da Mineira, no Catumbi.
Os rapazes Deivão Wilson, Marcos Paulo da Silva,e Wellington Gonzaga Costa foram sequestrados pelos militares quando voltavam de uma baile funk no morro da Mangueira.
Ainda segundo Marcelo Crivella, o projeto deve se estender por todo o Morro da Providência.
Fonte: JB Online
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Construção em tempo recorde na Providência
Projeto Cimento Social é retomado em ‘competição’ na comunidade do Centro do Rio. Operários ergueram três casas em apenas três dias
Rio - Três casas construídas em apenas três dias na ‘velocidade 5’. A proeza, conquistada em uma gincana com o suor de 90 homens, é o cartão de visita na tentativa de convencer o governo federal a voltar a investir no projeto Cimento Social, que visa a recuperar e a construir unidades habitacionais no Morro da Providência. Ali, nasceu a primeira das 968 favelas do Rio de Janeiro.
Na retomada do projeto, serão entregues amanhã as três primeiras casas. Três equipes de 30 homens disputaram para ver quem terminava primeiro a residência. São unidades de 60 metros quadrados de dois andares, com sala, cozinha e banheiro no primeiro piso e dois quartos, no segundo. Um dos dormitórios pode ser dividido em dois cômodos. O melhor para a família que vai ocupar o imóvel é que toda a mobília vem junto: armários planejados, cozinha e móveis.
O objetivo é sensibilizar o Ministério das Cidades. “Estou levando a nossa ideia ao ministro (das Cidades) Márcio Fortes, e acho inclusive que pode ser adotada no programa ‘Minha casa, minha vida’, do governo federal”, disse o senador Marcelo Crivella (PRB), durante visita realizada ontem para conferir os arremates finais nas residências. Os beneficiados com as primeiras casas serão anunciados na hora.
Ainda não estão definidas, após a entrega das três casas, quais serão as áreas atingidas. “Começamos novas etapas. Vamos identificar locais de maior necessidade para fazer as intervenções”, promete.
Cada casa, na subida da Providência, custou R$ 50 mil e foi construída em placas de argamassa. O dinheiro, segundo Crivella, veio dos direitos autorais pela venda de seus CDs e DVDs. Ele é cantor gospel.
O senador destaca o avanço social, bem além das paredes de argamassa. Acentua que cem pessoas receberam treinamento para atuar da fundação ao telhado. “É bom ressaltar que toda a mão de obra é local. Estamos trabalhando com algumas pessoas que antes trabalhavam com o tráfico e agora estão lutando com carteira assinada para mudar de vida”, afirma ele, que viajou ontem para visitar o vice-presidente José Alencar, em tratamento contra o câncer em São Paulo.
O Cimento Social estava parado desde junho do ano passado por decisão da Justiça Eleitoral. O TRE autorizou na época que as obras de reforma fossem concluídas só em mutirão. Foram reformadas 55 casas.
A proibição de continuidade das obras ocorreu logo depois da morte de três jovens. Militares do Exército, que garantiam a obra desde dezembro de 2007, foram acusados de prender e entregá-los a bandidos do Morro da Mineira, comunidade rival.
Há dois meses, o projeto ergueu residência modelo na Providência e a entregou a família que estava com o barraco em ruínas. As três novas unidades seguem o padrão. “Há casas que não adiantam ser reformadas. Precisam ser jogadas no chão e reconstruídas. Para isso, desenvolvemos tecnologia. São 72 horas de trabalho e um sonho realizado”, finaliza.
A PRIMEIRA CONTA BANCÁRIA
Trabalhadores da força-tarefa vibram com melhorias
Três equipes de 30 homens correram contra o tempo para concluir as casas. Até ontem à tarde, a Azul liderava com pequena vantagem sobre a Verde e a Vermelha. A que terminar a obra primeiro receberá uma surpresa.
A Favela da Providência surgiu no mapa em 1898. Mil pessoas que ocupavam o cortiço Cabeça de Porco, que fora demolido, resolveram reconstruir os primeiros barracos no morro.
“Muitos trabalhadores que contratamos na obra nunca tiveram conta bancária”, surpreende-se Vander Dantas, coordenador da força-tarefa.
O servente Reinaldo Ramos, 30, vivia há dois anos de biscates. “Quero progredir e me tornar um bom pedreiro”, conta ele, que se comove com as melhorias nas casas dos vizinhos. “Quem chega à Rodoviária Novo Rio e olha o morro vê que ele já tem outro aspecto”, orgulha-se.
Construção em tempo recorde na Providência
Projeto Cimento Social é retomado em ‘competição’ na comunidade do Centro do Rio. Operários ergueram três casas em apenas três dias
Rio - Três casas construídas em apenas três dias na ‘velocidade 5’. A proeza, conquistada em uma gincana com o suor de 90 homens, é o cartão de visita na tentativa de convencer o governo federal a voltar a investir no projeto Cimento Social, que visa a recuperar e a construir unidades habitacionais no Morro da Providência. Ali, nasceu a primeira das 968 favelas do Rio de Janeiro.
Na retomada do projeto, serão entregues amanhã as três primeiras casas. Três equipes de 30 homens disputaram para ver quem terminava primeiro a residência. São unidades de 60 metros quadrados de dois andares, com sala, cozinha e banheiro no primeiro piso e dois quartos, no segundo. Um dos dormitórios pode ser dividido em dois cômodos. O melhor para a família que vai ocupar o imóvel é que toda a mobília vem junto: armários planejados, cozinha e móveis.
O objetivo é sensibilizar o Ministério das Cidades. “Estou levando a nossa ideia ao ministro (das Cidades) Márcio Fortes, e acho inclusive que pode ser adotada no programa ‘Minha casa, minha vida’, do governo federal”, disse o senador Marcelo Crivella (PRB), durante visita realizada ontem para conferir os arremates finais nas residências. Os beneficiados com as primeiras casas serão anunciados na hora.
Ainda não estão definidas, após a entrega das três casas, quais serão as áreas atingidas. “Começamos novas etapas. Vamos identificar locais de maior necessidade para fazer as intervenções”, promete.
Cada casa, na subida da Providência, custou R$ 50 mil e foi construída em placas de argamassa. O dinheiro, segundo Crivella, veio dos direitos autorais pela venda de seus CDs e DVDs. Ele é cantor gospel.
O senador destaca o avanço social, bem além das paredes de argamassa. Acentua que cem pessoas receberam treinamento para atuar da fundação ao telhado. “É bom ressaltar que toda a mão de obra é local. Estamos trabalhando com algumas pessoas que antes trabalhavam com o tráfico e agora estão lutando com carteira assinada para mudar de vida”, afirma ele, que viajou ontem para visitar o vice-presidente José Alencar, em tratamento contra o câncer em São Paulo.
O Cimento Social estava parado desde junho do ano passado por decisão da Justiça Eleitoral. O TRE autorizou na época que as obras de reforma fossem concluídas só em mutirão. Foram reformadas 55 casas.
A proibição de continuidade das obras ocorreu logo depois da morte de três jovens. Militares do Exército, que garantiam a obra desde dezembro de 2007, foram acusados de prender e entregá-los a bandidos do Morro da Mineira, comunidade rival.
Há dois meses, o projeto ergueu residência modelo na Providência e a entregou a família que estava com o barraco em ruínas. As três novas unidades seguem o padrão. “Há casas que não adiantam ser reformadas. Precisam ser jogadas no chão e reconstruídas. Para isso, desenvolvemos tecnologia. São 72 horas de trabalho e um sonho realizado”, finaliza.
A PRIMEIRA CONTA BANCÁRIA
Trabalhadores da força-tarefa vibram com melhorias
Três equipes de 30 homens correram contra o tempo para concluir as casas. Até ontem à tarde, a Azul liderava com pequena vantagem sobre a Verde e a Vermelha. A que terminar a obra primeiro receberá uma surpresa.
A Favela da Providência surgiu no mapa em 1898. Mil pessoas que ocupavam o cortiço Cabeça de Porco, que fora demolido, resolveram reconstruir os primeiros barracos no morro.
“Muitos trabalhadores que contratamos na obra nunca tiveram conta bancária”, surpreende-se Vander Dantas, coordenador da força-tarefa.
O servente Reinaldo Ramos, 30, vivia há dois anos de biscates. “Quero progredir e me tornar um bom pedreiro”, conta ele, que se comove com as melhorias nas casas dos vizinhos. “Quem chega à Rodoviária Novo Rio e olha o morro vê que ele já tem outro aspecto”, orgulha-se.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
segunda-feira, 15 de junho de 2009
EXÉRCITO NA AMAZÔNIA por DRÁUZIO VARELLA

O depoimento de um cidadão isento das distorções que cometem nos gabinetes de ar condicionado de Brasília, no trato das questões das reservas indígenas, da política indigenista e da ausência do poder público nos confins da Amazônia!!!
A FORÇA DOS MILITARES NA AMAZÔNIA
Uma visão isenta da ação dos militares na Amazônia
Perfilados, os soldados aguardaram em posição de sentido, sob o sol do meio-dia. Eram homens de estatura mediana, pele bronzeada, olhos amendoados, maçãs do rosto salientes e cabelo espetado.
O observador desavisado que lhes analisasse os traços julgaria estar na Ásia.
No microfone, a palavra de ordem do capitão: 'Soldado Souza, etnia tucano'.
Um rapaz da primeira fila deu um passo adiante, resoluto, com o fuzil no ombro, e iniciou a oração do guerreiro da selva, no idioma natal. No fim, o grito de guerra dos pelotões da fronteira: "SELVA !!"
O segundo a repetir o texto foi um soldado da etnia desana, seguido de um baniua, um curipaco, um cubeu, um ianomâmi, um tariano e um hupda.
Todos repetiram o ritual do passo à frente e da oração nas línguas de seus povos; em comum, apenas o grito final: "SELVA !!!"
Depois, o pelotão inteiro cantou o hino nacional em português, a plenos pulmões.
Ouvir aquela diversidade de indígenas, característica das 22 etnias que habitam o extremo noroeste da Amazônia brasileira há 2.000 anos, cantando nosso hino no meio da floresta, trouxe à flor da pele
sentimentos de brasilidade que eu julgava esquecidos.
Para chegar à Cabeça do Cachorro é preciso ir a Manaus, viajar 1.146 quilômetros Rio Negro acima até avistar São Gabriel da Cachoeira, a maior cidade indígena do país.
De lá, até as fronteiras com a Colômbia e a Venezuela, pelos rios Uaupés, Tiquié, Içana, Cauaburi e uma infinidade de rios menores, só Deus sabe.
A duração da viagem depende das chuvas, das corredeiras e da época do ano, porque na bacia do Rio Negro o nível das águas pode subir mais de dez metros entre a vazante e o pico da cheia.
É um Brasil perdido no meio das florestas mais preservadas da Amazônia. Não fosse a presença militar, seria uma região entregue à própria sorte. Ou, pior, à sorte alheia.
O Comando dos Pelotões de Fronteira está sediado em São Gabriel. De lá partem as provisões e o apoio logístico para as unidades construídas à beira dos principais rios fronteiriços: Pari-Cachoeira, Iauaretê, Querari, Tunuí-Cachoeira, São Joaquim, Maturacá e Cucuí.
Anteriormente formado por militares de outros estados, os pelotões hoje recrutam soldados nas comunidades das redondezas. Essa opção foi feita por razões profissionais: 'O soldado do sul pode ser mais preparado intelectualmente, mas na selva ninguém se iguala ao indígena'.
Na entrada dos quartéis, uma placa dá idéia do esforço para construí-los naquele ermo: 'Da primeira tábua ao último prego, todo material empregado nessas instalações foi transportado nas asas da FAB'.
Os pelotões atraíram as populações indígenas de cada rio à beira do qual foram instalados: por causa da escola para as crianças e porque em suas imediações circula o bem mais raro da região: salário.
Para os militares e suas famílias, os indígenas conseguem vender algum artesanato, trocar farinha e frutas por gêneros de primeira necessidade, produtos de higiene e peças de vestuário.
No quartel existe possibilidade de acesso à assistência médica, ao dentista, à internet e aos aviões da FAB, em caso de acidente ou doença grave.
Cada pelotão é chefiado por um tenente com menos de 30 anos, obrigado a exercer o papel de comandante militar, prefeito, juiz de paz, delegado, gestor de assistência médico-odontológica,
administrador do programa de inclusão digital e o que mais for necessário assumir nas comunidades das imediações, esquecidas pelas autoridades federais, estaduais e municipais.
Tais serviços, de responsabilidade de ministérios e secretarias locais, são prestados pelas Forças Armadas sem qualquer dotação orçamentária suplementar.
Os quartéis são de um despojamento espartano. As dificuldades de abastecimento, os atrasos dos vôos causados por adversidades climáticas e avarias técnicas e o orçamento minguado das Forças Armadas tornam o dia-a-dia dos que vivem em pleno isolamento um ato de resistência permanente.
Esses militares anônimos, mal pagos, são os únicos responsáveis pela defesa dos limites de uma região conturbada pela proximidade das Farc e pelas rotas do narcotráfico. Não estivessem lá, quem estaria? "SELVA !!!"
Lema do soldado da Amazônia:
"Senhor, tu que ordenastes ao guerreiro de Selva, sobrepujai todos os vossos oponentes, dai-nos hoje da floresta, a sobriedade para resistir, a paciência para emboscar, a perseverança para sobreviver, a astúcia para dissimular, a fé para resistir e vencer, e daí-nos também senhor a esperança e a certeza do retorno, mas , se, defendendo essa brasileira Amazônia, tivermos que perecer, oh Deus, que façamos com dignidade e mereçamos a vitória, Selva!!!"
EXÉRCITO NA AMAZÔNIA por DRÁUZIO VARELLA

O depoimento de um cidadão isento das distorções que cometem nos gabinetes de ar condicionado de Brasília, no trato das questões das reservas indígenas, da política indigenista e da ausência do poder público nos confins da Amazônia!!!
A FORÇA DOS MILITARES NA AMAZÔNIA
Uma visão isenta da ação dos militares na Amazônia
Perfilados, os soldados aguardaram em posição de sentido, sob o sol do meio-dia. Eram homens de estatura mediana, pele bronzeada, olhos amendoados, maçãs do rosto salientes e cabelo espetado.
O observador desavisado que lhes analisasse os traços julgaria estar na Ásia.
No microfone, a palavra de ordem do capitão: 'Soldado Souza, etnia tucano'.
Um rapaz da primeira fila deu um passo adiante, resoluto, com o fuzil no ombro, e iniciou a oração do guerreiro da selva, no idioma natal. No fim, o grito de guerra dos pelotões da fronteira: "SELVA !!"
O segundo a repetir o texto foi um soldado da etnia desana, seguido de um baniua, um curipaco, um cubeu, um ianomâmi, um tariano e um hupda.
Todos repetiram o ritual do passo à frente e da oração nas línguas de seus povos; em comum, apenas o grito final: "SELVA !!!"
Depois, o pelotão inteiro cantou o hino nacional em português, a plenos pulmões.
Ouvir aquela diversidade de indígenas, característica das 22 etnias que habitam o extremo noroeste da Amazônia brasileira há 2.000 anos, cantando nosso hino no meio da floresta, trouxe à flor da pele
sentimentos de brasilidade que eu julgava esquecidos.
Para chegar à Cabeça do Cachorro é preciso ir a Manaus, viajar 1.146 quilômetros Rio Negro acima até avistar São Gabriel da Cachoeira, a maior cidade indígena do país.
De lá, até as fronteiras com a Colômbia e a Venezuela, pelos rios Uaupés, Tiquié, Içana, Cauaburi e uma infinidade de rios menores, só Deus sabe.
A duração da viagem depende das chuvas, das corredeiras e da época do ano, porque na bacia do Rio Negro o nível das águas pode subir mais de dez metros entre a vazante e o pico da cheia.
É um Brasil perdido no meio das florestas mais preservadas da Amazônia. Não fosse a presença militar, seria uma região entregue à própria sorte. Ou, pior, à sorte alheia.
O Comando dos Pelotões de Fronteira está sediado em São Gabriel. De lá partem as provisões e o apoio logístico para as unidades construídas à beira dos principais rios fronteiriços: Pari-Cachoeira, Iauaretê, Querari, Tunuí-Cachoeira, São Joaquim, Maturacá e Cucuí.
Anteriormente formado por militares de outros estados, os pelotões hoje recrutam soldados nas comunidades das redondezas. Essa opção foi feita por razões profissionais: 'O soldado do sul pode ser mais preparado intelectualmente, mas na selva ninguém se iguala ao indígena'.
Na entrada dos quartéis, uma placa dá idéia do esforço para construí-los naquele ermo: 'Da primeira tábua ao último prego, todo material empregado nessas instalações foi transportado nas asas da FAB'.
Os pelotões atraíram as populações indígenas de cada rio à beira do qual foram instalados: por causa da escola para as crianças e porque em suas imediações circula o bem mais raro da região: salário.
Para os militares e suas famílias, os indígenas conseguem vender algum artesanato, trocar farinha e frutas por gêneros de primeira necessidade, produtos de higiene e peças de vestuário.
No quartel existe possibilidade de acesso à assistência médica, ao dentista, à internet e aos aviões da FAB, em caso de acidente ou doença grave.
Cada pelotão é chefiado por um tenente com menos de 30 anos, obrigado a exercer o papel de comandante militar, prefeito, juiz de paz, delegado, gestor de assistência médico-odontológica,
administrador do programa de inclusão digital e o que mais for necessário assumir nas comunidades das imediações, esquecidas pelas autoridades federais, estaduais e municipais.
Tais serviços, de responsabilidade de ministérios e secretarias locais, são prestados pelas Forças Armadas sem qualquer dotação orçamentária suplementar.
Os quartéis são de um despojamento espartano. As dificuldades de abastecimento, os atrasos dos vôos causados por adversidades climáticas e avarias técnicas e o orçamento minguado das Forças Armadas tornam o dia-a-dia dos que vivem em pleno isolamento um ato de resistência permanente.
Esses militares anônimos, mal pagos, são os únicos responsáveis pela defesa dos limites de uma região conturbada pela proximidade das Farc e pelas rotas do narcotráfico. Não estivessem lá, quem estaria? "SELVA !!!"
Lema do soldado da Amazônia:
"Senhor, tu que ordenastes ao guerreiro de Selva, sobrepujai todos os vossos oponentes, dai-nos hoje da floresta, a sobriedade para resistir, a paciência para emboscar, a perseverança para sobreviver, a astúcia para dissimular, a fé para resistir e vencer, e daí-nos também senhor a esperança e a certeza do retorno, mas , se, defendendo essa brasileira Amazônia, tivermos que perecer, oh Deus, que façamos com dignidade e mereçamos a vitória, Selva!!!"
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