Mostrando postagens com marcador dignidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador dignidade. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Construção em tempo recorde na Providência




Projeto Cimento Social é retomado em ‘competição’ na comunidade do Centro do Rio. Operários ergueram três casas em apenas três dias

Rio - Três casas construídas em apenas três dias na ‘velocidade 5’. A proeza, conquistada em uma gincana com o suor de 90 homens, é o cartão de visita na tentativa de convencer o governo federal a voltar a investir no projeto Cimento Social, que visa a recuperar e a construir unidades habitacionais no Morro da Providência. Ali, nasceu a primeira das 968 favelas do Rio de Janeiro.

Na retomada do projeto, serão entregues amanhã as três primeiras casas. Três equipes de 30 homens disputaram para ver quem terminava primeiro a residência. São unidades de 60 metros quadrados de dois andares, com sala, cozinha e banheiro no primeiro piso e dois quartos, no segundo. Um dos dormitórios pode ser dividido em dois cômodos. O melhor para a família que vai ocupar o imóvel é que toda a mobília vem junto: armários planejados, cozinha e móveis.

O objetivo é sensibilizar o Ministério das Cidades. “Estou levando a nossa ideia ao ministro (das Cidades) Márcio Fortes, e acho inclusive que pode ser adotada no programa ‘Minha casa, minha vida’, do governo federal”, disse o senador Marcelo Crivella (PRB), durante visita realizada ontem para conferir os arremates finais nas residências. Os beneficiados com as primeiras casas serão anunciados na hora.

Ainda não estão definidas, após a entrega das três casas, quais serão as áreas atingidas. “Começamos novas etapas. Vamos identificar locais de maior necessidade para fazer as intervenções”, promete.

Cada casa, na subida da Providência, custou R$ 50 mil e foi construída em placas de argamassa. O dinheiro, segundo Crivella, veio dos direitos autorais pela venda de seus CDs e DVDs. Ele é cantor gospel.

O senador destaca o avanço social, bem além das paredes de argamassa. Acentua que cem pessoas receberam treinamento para atuar da fundação ao telhado. “É bom ressaltar que toda a mão de obra é local. Estamos trabalhando com algumas pessoas que antes trabalhavam com o tráfico e agora estão lutando com carteira assinada para mudar de vida”, afirma ele, que viajou ontem para visitar o vice-presidente José Alencar, em tratamento contra o câncer em São Paulo.

O Cimento Social estava parado desde junho do ano passado por decisão da Justiça Eleitoral. O TRE autorizou na época que as obras de reforma fossem concluídas só em mutirão. Foram reformadas 55 casas.

A proibição de continuidade das obras ocorreu logo depois da morte de três jovens. Militares do Exército, que garantiam a obra desde dezembro de 2007, foram acusados de prender e entregá-los a bandidos do Morro da Mineira, comunidade rival.

Há dois meses, o projeto ergueu residência modelo na Providência e a entregou a família que estava com o barraco em ruínas. As três novas unidades seguem o padrão. “Há casas que não adiantam ser reformadas. Precisam ser jogadas no chão e reconstruídas. Para isso, desenvolvemos tecnologia. São 72 horas de trabalho e um sonho realizado”, finaliza.

A PRIMEIRA CONTA BANCÁRIA
Trabalhadores da força-tarefa vibram com melhorias

Três equipes de 30 homens correram contra o tempo para concluir as casas. Até ontem à tarde, a Azul liderava com pequena vantagem sobre a Verde e a Vermelha. A que terminar a obra primeiro receberá uma surpresa.

A Favela da Providência surgiu no mapa em 1898. Mil pessoas que ocupavam o cortiço Cabeça de Porco, que fora demolido, resolveram reconstruir os primeiros barracos no morro.

“Muitos trabalhadores que contratamos na obra nunca tiveram conta bancária”, surpreende-se Vander Dantas, coordenador da força-tarefa.

O servente Reinaldo Ramos, 30, vivia há dois anos de biscates. “Quero progredir e me tornar um bom pedreiro”, conta ele, que se comove com as melhorias nas casas dos vizinhos. “Quem chega à Rodoviária Novo Rio e olha o morro vê que ele já tem outro aspecto”, orgulha-se.

Construção em tempo recorde na Providência




Projeto Cimento Social é retomado em ‘competição’ na comunidade do Centro do Rio. Operários ergueram três casas em apenas três dias

Rio - Três casas construídas em apenas três dias na ‘velocidade 5’. A proeza, conquistada em uma gincana com o suor de 90 homens, é o cartão de visita na tentativa de convencer o governo federal a voltar a investir no projeto Cimento Social, que visa a recuperar e a construir unidades habitacionais no Morro da Providência. Ali, nasceu a primeira das 968 favelas do Rio de Janeiro.

Na retomada do projeto, serão entregues amanhã as três primeiras casas. Três equipes de 30 homens disputaram para ver quem terminava primeiro a residência. São unidades de 60 metros quadrados de dois andares, com sala, cozinha e banheiro no primeiro piso e dois quartos, no segundo. Um dos dormitórios pode ser dividido em dois cômodos. O melhor para a família que vai ocupar o imóvel é que toda a mobília vem junto: armários planejados, cozinha e móveis.

O objetivo é sensibilizar o Ministério das Cidades. “Estou levando a nossa ideia ao ministro (das Cidades) Márcio Fortes, e acho inclusive que pode ser adotada no programa ‘Minha casa, minha vida’, do governo federal”, disse o senador Marcelo Crivella (PRB), durante visita realizada ontem para conferir os arremates finais nas residências. Os beneficiados com as primeiras casas serão anunciados na hora.

Ainda não estão definidas, após a entrega das três casas, quais serão as áreas atingidas. “Começamos novas etapas. Vamos identificar locais de maior necessidade para fazer as intervenções”, promete.

Cada casa, na subida da Providência, custou R$ 50 mil e foi construída em placas de argamassa. O dinheiro, segundo Crivella, veio dos direitos autorais pela venda de seus CDs e DVDs. Ele é cantor gospel.

O senador destaca o avanço social, bem além das paredes de argamassa. Acentua que cem pessoas receberam treinamento para atuar da fundação ao telhado. “É bom ressaltar que toda a mão de obra é local. Estamos trabalhando com algumas pessoas que antes trabalhavam com o tráfico e agora estão lutando com carteira assinada para mudar de vida”, afirma ele, que viajou ontem para visitar o vice-presidente José Alencar, em tratamento contra o câncer em São Paulo.

O Cimento Social estava parado desde junho do ano passado por decisão da Justiça Eleitoral. O TRE autorizou na época que as obras de reforma fossem concluídas só em mutirão. Foram reformadas 55 casas.

A proibição de continuidade das obras ocorreu logo depois da morte de três jovens. Militares do Exército, que garantiam a obra desde dezembro de 2007, foram acusados de prender e entregá-los a bandidos do Morro da Mineira, comunidade rival.

Há dois meses, o projeto ergueu residência modelo na Providência e a entregou a família que estava com o barraco em ruínas. As três novas unidades seguem o padrão. “Há casas que não adiantam ser reformadas. Precisam ser jogadas no chão e reconstruídas. Para isso, desenvolvemos tecnologia. São 72 horas de trabalho e um sonho realizado”, finaliza.

A PRIMEIRA CONTA BANCÁRIA
Trabalhadores da força-tarefa vibram com melhorias

Três equipes de 30 homens correram contra o tempo para concluir as casas. Até ontem à tarde, a Azul liderava com pequena vantagem sobre a Verde e a Vermelha. A que terminar a obra primeiro receberá uma surpresa.

A Favela da Providência surgiu no mapa em 1898. Mil pessoas que ocupavam o cortiço Cabeça de Porco, que fora demolido, resolveram reconstruir os primeiros barracos no morro.

“Muitos trabalhadores que contratamos na obra nunca tiveram conta bancária”, surpreende-se Vander Dantas, coordenador da força-tarefa.

O servente Reinaldo Ramos, 30, vivia há dois anos de biscates. “Quero progredir e me tornar um bom pedreiro”, conta ele, que se comove com as melhorias nas casas dos vizinhos. “Quem chega à Rodoviária Novo Rio e olha o morro vê que ele já tem outro aspecto”, orgulha-se.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Marcelo Crivella pede que Mesa responda a denúncias publicadas pela imprensa carioca


PLENÁRIO / Pronunciamentos
08/07/2009 - 22h42

Em discurso nesta quarta-feira (8), Marcelo Crivella (PRB-RJ) pediu que a Mesa responda a diversas denúncias contra o Senado e senadores publicadas desde o dia 4 de março de 2009 nos jornais do Rio de Janeiro. Ele citou as seguintes denúncias da imprensa carioca e pediu satisfações da Mesa:

- Existência de 37 funcionários fantasmas entre os 337 contratados pelo Senado através da empresa Ipanema;

- Nepotismo praticado por diretores do Senado que se valeram das empresas Servegel e Aval para contratar parentes;

- Senado abrigava injustificadamente 136 diretorias;

- A servidora Elga Maria Teixeira Lopes teria trabalhado em campanha eleitoral sem se licenciar e recebendo pelo Senado;

- A Casa mantinha 17 comissões integradas por cinco a dez funcionários pagando a cada um adicionais de R$ 1 mil a R$ 2.064;

- Senado mascarou dados sobre gastos com saúde, inflando número de funcionários para camuflar a despesa real unitária;

- Diretor-geral postergou a realização de concursos públicos para multiplicar o número de cargos comissionados;

- Funcionária Eliane Maria de Jesus, recebendo vencimentos pelo Senado, prestava serviços a órgão do Executivo;

- Senado teria 3.516 servidores terceirizados, mais que o dobro dos funcionários de carreira, devido à postergação de concursos públicos;

- Ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi usou sua ex-babá como laranja para criar empresa de empréstimos consignados;

- Existência de mais de 500 atos secretos;

- Amauri de Jesus Machado, funcionário do Senado, prestava serviços particulares à governadora Roseana Sarney;

- Servidora que recebia pelo Senado residia há dois anos nos Estados Unidos;

- Manutenção de conta bancária atípica na Caixa Econômica com saldo de R$ 3,7 milhões e

- Diretor do Senado Sebastião Fernando Neves manteve parentes em empresas terceirizadas para prestar serviços à Casa.

Crivella pediu que a Mesa responda a cada uma das denúncias, dizendo se são verdadeiras ou falsas e, caso sejam verdadeiras, quais as providências que foram adotadas caso a caso. O senador disse ainda que levará ao conhecimento da população do Rio de Janeiro as respostas da Mesa.
Da Redação / Agência Senado

Marcelo Crivella pede que Mesa responda a denúncias publicadas pela imprensa carioca


PLENÁRIO / Pronunciamentos
08/07/2009 - 22h42

Em discurso nesta quarta-feira (8), Marcelo Crivella (PRB-RJ) pediu que a Mesa responda a diversas denúncias contra o Senado e senadores publicadas desde o dia 4 de março de 2009 nos jornais do Rio de Janeiro. Ele citou as seguintes denúncias da imprensa carioca e pediu satisfações da Mesa:

- Existência de 37 funcionários fantasmas entre os 337 contratados pelo Senado através da empresa Ipanema;

- Nepotismo praticado por diretores do Senado que se valeram das empresas Servegel e Aval para contratar parentes;

- Senado abrigava injustificadamente 136 diretorias;

- A servidora Elga Maria Teixeira Lopes teria trabalhado em campanha eleitoral sem se licenciar e recebendo pelo Senado;

- A Casa mantinha 17 comissões integradas por cinco a dez funcionários pagando a cada um adicionais de R$ 1 mil a R$ 2.064;

- Senado mascarou dados sobre gastos com saúde, inflando número de funcionários para camuflar a despesa real unitária;

- Diretor-geral postergou a realização de concursos públicos para multiplicar o número de cargos comissionados;

- Funcionária Eliane Maria de Jesus, recebendo vencimentos pelo Senado, prestava serviços a órgão do Executivo;

- Senado teria 3.516 servidores terceirizados, mais que o dobro dos funcionários de carreira, devido à postergação de concursos públicos;

- Ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi usou sua ex-babá como laranja para criar empresa de empréstimos consignados;

- Existência de mais de 500 atos secretos;

- Amauri de Jesus Machado, funcionário do Senado, prestava serviços particulares à governadora Roseana Sarney;

- Servidora que recebia pelo Senado residia há dois anos nos Estados Unidos;

- Manutenção de conta bancária atípica na Caixa Econômica com saldo de R$ 3,7 milhões e

- Diretor do Senado Sebastião Fernando Neves manteve parentes em empresas terceirizadas para prestar serviços à Casa.

Crivella pediu que a Mesa responda a cada uma das denúncias, dizendo se são verdadeiras ou falsas e, caso sejam verdadeiras, quais as providências que foram adotadas caso a caso. O senador disse ainda que levará ao conhecimento da população do Rio de Janeiro as respostas da Mesa.
Da Redação / Agência Senado

quinta-feira, 11 de junho de 2009

LILIAN MARIA DE SOUZA BORGES - 2 - LUTO !!!!

O fim de uma batalha pela vida

Jovem não resistiu à luta para conseguir, na rede pública de saúde, transplante de fígado, exames para detectar câncer e radioterapia

POR PÂMELA OLIVEIRA, RIO DE JANEIRO
http://odia.terra.com.br/portal/cienciaesaude/html/2009/6/o_fim_de_uma_batalha_pela_vida_17401.html

Rio - Símbolo da luta por transplantes no Rio, Lília Borges foi sepultada ontem, aos 24 anos. Submetida em julho a um transplante de fígado devido a um câncer, ela morreu de parada cardíaca com metástase óssea no Hospital do Fundão. O câncer não foi o único adversário: a jovem precisou esperar 8 meses por cintilografia, exame que detecta possíveis novos tumores. E lutou para conseguir radioterapia e medicamentos na rede pública.

Os sonhos de estudar Direito e ter uma filha chamada Júlia morreram com ela. Mas a indignação diante da precariedade do serviço público, não. “A direção do Fundão foi omissa. Houve falha e demora para conseguir a cintilografia. Precisamos recorrer à Justiça para que o exame fosse feito. Sabíamos que o risco de metástase era grande já que o tumor do fígado estava muito grande quando foi feito o transplante, mas com esse exame os tumores poderiam ter sido detectados antes e o tratamento poderia ter lhe dado mais algum tempo de vida” , disse Kátia Gomes, tia de Lília, no cemitério Memorial do Carmo, no Caju.

Kátia conta que a sobrinha, que recebeu o diagnóstico de câncer em 2006, estava feliz em janeiro, quando voltou a trabalhar, mas logo começou a sentir dores na coluna, onde foi descoberto novo tumor.

“Ela foi operada duas vezes, mas o tumor voltou. O que a matou foi parar de andar. Ela me disse que não queria viver sem andar e sem enxergar. Ela desistiu”, disse a tia, acrescentando que Lília já estava com problemas de visão devido ao câncer.

Sérgio Borges, pai de Lília, contou que após a cirurgia da coluna, a filha precisou ficar internada por mais de uma semana no Instituto de Traumato Ortopedia (Into), onde foi feito o procedimento, porque o Fundão, hospital de onde Lília era paciente, não tinha condições de oferecer radioterapia nem de levá-la até o Inca onde foi feito o tratamento. “Domingo, o Fundão não tinha um remédio que ela precisava. O médico me deu a receita e chegou a se oferecer para me dar o dinheiro para comprar”, relata.

Em nota, ontem, o Hospital do Fundão afirmou que o atendimento realizado “esteve de acordo com recursos disponíveis no momento”.

Sofrimento de duas mães

O fígado que recebera há 11 meses do bombeiro Paulo Freitas, morto em acidente, foi o único órgão de Lília não atingido pelo câncer. Ontem, lado a lado, duas mães choravam a ausência de uma filha: Lilian Costa, 73, avó que a criou após a morte da mãe da jovem, e Enedir Freitas, 60, mãe de Paulo, o doador que permitiu que Lília vivesse por quase um ano. “Estou passando pelo sofrimento que vivi há um ano. Valeu a pena ter convivido com ela e sua família”, disse Enedir, inconsolável. “Somos uma família”.
Lilian contou que a moça estava sofrendo: “Mas tinha muita vontade de viver”.

LILIAN MARIA DE SOUZA BORGES - 2 - LUTO !!!!

O fim de uma batalha pela vida

Jovem não resistiu à luta para conseguir, na rede pública de saúde, transplante de fígado, exames para detectar câncer e radioterapia

POR PÂMELA OLIVEIRA, RIO DE JANEIRO
http://odia.terra.com.br/portal/cienciaesaude/html/2009/6/o_fim_de_uma_batalha_pela_vida_17401.html

Rio - Símbolo da luta por transplantes no Rio, Lília Borges foi sepultada ontem, aos 24 anos. Submetida em julho a um transplante de fígado devido a um câncer, ela morreu de parada cardíaca com metástase óssea no Hospital do Fundão. O câncer não foi o único adversário: a jovem precisou esperar 8 meses por cintilografia, exame que detecta possíveis novos tumores. E lutou para conseguir radioterapia e medicamentos na rede pública.

Os sonhos de estudar Direito e ter uma filha chamada Júlia morreram com ela. Mas a indignação diante da precariedade do serviço público, não. “A direção do Fundão foi omissa. Houve falha e demora para conseguir a cintilografia. Precisamos recorrer à Justiça para que o exame fosse feito. Sabíamos que o risco de metástase era grande já que o tumor do fígado estava muito grande quando foi feito o transplante, mas com esse exame os tumores poderiam ter sido detectados antes e o tratamento poderia ter lhe dado mais algum tempo de vida” , disse Kátia Gomes, tia de Lília, no cemitério Memorial do Carmo, no Caju.

Kátia conta que a sobrinha, que recebeu o diagnóstico de câncer em 2006, estava feliz em janeiro, quando voltou a trabalhar, mas logo começou a sentir dores na coluna, onde foi descoberto novo tumor.

“Ela foi operada duas vezes, mas o tumor voltou. O que a matou foi parar de andar. Ela me disse que não queria viver sem andar e sem enxergar. Ela desistiu”, disse a tia, acrescentando que Lília já estava com problemas de visão devido ao câncer.

Sérgio Borges, pai de Lília, contou que após a cirurgia da coluna, a filha precisou ficar internada por mais de uma semana no Instituto de Traumato Ortopedia (Into), onde foi feito o procedimento, porque o Fundão, hospital de onde Lília era paciente, não tinha condições de oferecer radioterapia nem de levá-la até o Inca onde foi feito o tratamento. “Domingo, o Fundão não tinha um remédio que ela precisava. O médico me deu a receita e chegou a se oferecer para me dar o dinheiro para comprar”, relata.

Em nota, ontem, o Hospital do Fundão afirmou que o atendimento realizado “esteve de acordo com recursos disponíveis no momento”.

Sofrimento de duas mães

O fígado que recebera há 11 meses do bombeiro Paulo Freitas, morto em acidente, foi o único órgão de Lília não atingido pelo câncer. Ontem, lado a lado, duas mães choravam a ausência de uma filha: Lilian Costa, 73, avó que a criou após a morte da mãe da jovem, e Enedir Freitas, 60, mãe de Paulo, o doador que permitiu que Lília vivesse por quase um ano. “Estou passando pelo sofrimento que vivi há um ano. Valeu a pena ter convivido com ela e sua família”, disse Enedir, inconsolável. “Somos uma família”.
Lilian contou que a moça estava sofrendo: “Mas tinha muita vontade de viver”.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Marcelo Crivella





Data: 24/05/2009 Fonte: Jornal do Brasil

ARTIGO - Marcelo Crivella


Dom Eugenio Sales

Tive a oportunidade de estar algumas vezes com o cardeal dom Eugenio Sales. Nunca tratamos de política eleitoral. Falamos das preocupações que temos com uma sociedade que se afasta dos valores cristãos e navega a esmo nos ventos dos ódios e das paixões. Falamos de educação religiosa para as crianças, do perigo das drogas, da violência que nos atormenta.
Ele me contou da sua experiência no sertão da Paraíba, e do seu Rio Grande do Norte, onde nasceu e de onde não se esquece. De projetos de irrigação que, como sabemos, é uma dívida que cada brasileiro tem com seus irmãos do semi-árido, pelo muito que deles recebemos, não só em termos culturais, mas sobretudo
e principalmente pelo inestimável capital humano que, trabalhando longe da terra querida, construiu nossas metrópoles e essa imensa forja onde se retemperam as essências mais puras da nossa brasilidade, a capital da República, o maior monumento artístico de uma raça imbuída do espírito de nação. Nossos encontros foram momentos agradáveis quando tive a impressão de ver refletido no seu semblante a paz da sua consciência. Dom Eugenio tem uma vida social impecável. Modesto, humilde, conciliador e incansável, só por um momento deixou transparecer uma ponta de desgosto, quando se referindo aos problemas do sistema de saúde e da agonia dos enfermos na fila dos hospitais, notícia constante dos jornais, disse baixinho:
"Já não suporto mais isso".
Nossas conversas sempre se deram nas horas lentas do dia, como dizia padre Godinho, quando a tarde escorre calma para os braços do crespúculo, velho e cansado porteiro da noite. Nunca fiz a ele queixas de qualquer natureza nem dele recebi qualquer tipo de ponderação grave. Temos divergências doutrinárias, nesse supremo anseio de ser útil ao Evangelho de Cristo, mas temos o mesmo desejo de servir o próximo. Reparei que o cardeal não é homem da ribalta e do proscênio.
Só ocupa a cena quando convocado para servir a uma causa digna que dele dependa para um gesto distinto ou um conselho seguro, voltando logo em seguida, quase que anônimo e despercebido, para o fundo do palco, sem aceitar recompensas ou buscar a glória dos aplausos.
Foi assim que recentemente a nação assistiu com surpresa e gratidão seus feitos heroicos em uma época de profundas contradições, o período da revolução, quando ele abrigou, sustentou e encaminhou em segurança dezenas de refugiados, livrando-os da tortura, da perseguição e da morte.
Esses atos ficariam para sempre guardados no segredo da sua modéstia, como os gestos dos que sabem que Deus vê em secreto. Não fosse o trabalho investigativo da imprensa atuante, competente e moderna, não teríamos notícias disso.
É verdade que passamos por momentos sociais turbulentos e não são poucos os escândalos que enegrecem os céus da nação, carregados de nuvens tormentosas.
Dele jamais se ouviu uma frase precipitada, um julgamento apressado ou uma crítica mordaz, prenúncio das injúrias, infâmias e calúnias. Já há tantos insensatos de prontidão que se encarregam disso.
Ao invés de lançar a primeira pedra, ele é o que sempre foi, o sacerdote, o servidor do povo, o amigo de todos, o apóstolo das mãos estendidas que prefere construir a paz, não semear o ódio. Ao fim do dia, depois de mais um expediente no pequeno escritório, ele segue para sua residência no Sumaré. A caminho passa por tantos prédios bonitos com apartamentos exclusivos e não seria inadequado supor que não se cometeria qualquer injustiça se no melhor deles ele pudesse descansar.
Mas há que se respeitar quando alguém, por convicções próprias, decide exercer o direito de abrir mão do próprio direito. Um exemplo de idealismo e renúncia que não deve ser esquecido.

Marcelo Crivella SENADOR (PRB-RJ)

Marcelo Crivella





Data: 24/05/2009 Fonte: Jornal do Brasil

ARTIGO - Marcelo Crivella


Dom Eugenio Sales

Tive a oportunidade de estar algumas vezes com o cardeal dom Eugenio Sales. Nunca tratamos de política eleitoral. Falamos das preocupações que temos com uma sociedade que se afasta dos valores cristãos e navega a esmo nos ventos dos ódios e das paixões. Falamos de educação religiosa para as crianças, do perigo das drogas, da violência que nos atormenta.
Ele me contou da sua experiência no sertão da Paraíba, e do seu Rio Grande do Norte, onde nasceu e de onde não se esquece. De projetos de irrigação que, como sabemos, é uma dívida que cada brasileiro tem com seus irmãos do semi-árido, pelo muito que deles recebemos, não só em termos culturais, mas sobretudo
e principalmente pelo inestimável capital humano que, trabalhando longe da terra querida, construiu nossas metrópoles e essa imensa forja onde se retemperam as essências mais puras da nossa brasilidade, a capital da República, o maior monumento artístico de uma raça imbuída do espírito de nação. Nossos encontros foram momentos agradáveis quando tive a impressão de ver refletido no seu semblante a paz da sua consciência. Dom Eugenio tem uma vida social impecável. Modesto, humilde, conciliador e incansável, só por um momento deixou transparecer uma ponta de desgosto, quando se referindo aos problemas do sistema de saúde e da agonia dos enfermos na fila dos hospitais, notícia constante dos jornais, disse baixinho:
"Já não suporto mais isso".
Nossas conversas sempre se deram nas horas lentas do dia, como dizia padre Godinho, quando a tarde escorre calma para os braços do crespúculo, velho e cansado porteiro da noite. Nunca fiz a ele queixas de qualquer natureza nem dele recebi qualquer tipo de ponderação grave. Temos divergências doutrinárias, nesse supremo anseio de ser útil ao Evangelho de Cristo, mas temos o mesmo desejo de servir o próximo. Reparei que o cardeal não é homem da ribalta e do proscênio.
Só ocupa a cena quando convocado para servir a uma causa digna que dele dependa para um gesto distinto ou um conselho seguro, voltando logo em seguida, quase que anônimo e despercebido, para o fundo do palco, sem aceitar recompensas ou buscar a glória dos aplausos.
Foi assim que recentemente a nação assistiu com surpresa e gratidão seus feitos heroicos em uma época de profundas contradições, o período da revolução, quando ele abrigou, sustentou e encaminhou em segurança dezenas de refugiados, livrando-os da tortura, da perseguição e da morte.
Esses atos ficariam para sempre guardados no segredo da sua modéstia, como os gestos dos que sabem que Deus vê em secreto. Não fosse o trabalho investigativo da imprensa atuante, competente e moderna, não teríamos notícias disso.
É verdade que passamos por momentos sociais turbulentos e não são poucos os escândalos que enegrecem os céus da nação, carregados de nuvens tormentosas.
Dele jamais se ouviu uma frase precipitada, um julgamento apressado ou uma crítica mordaz, prenúncio das injúrias, infâmias e calúnias. Já há tantos insensatos de prontidão que se encarregam disso.
Ao invés de lançar a primeira pedra, ele é o que sempre foi, o sacerdote, o servidor do povo, o amigo de todos, o apóstolo das mãos estendidas que prefere construir a paz, não semear o ódio. Ao fim do dia, depois de mais um expediente no pequeno escritório, ele segue para sua residência no Sumaré. A caminho passa por tantos prédios bonitos com apartamentos exclusivos e não seria inadequado supor que não se cometeria qualquer injustiça se no melhor deles ele pudesse descansar.
Mas há que se respeitar quando alguém, por convicções próprias, decide exercer o direito de abrir mão do próprio direito. Um exemplo de idealismo e renúncia que não deve ser esquecido.

Marcelo Crivella SENADOR (PRB-RJ)